Segurança do paciente começa na formação médica, defendem especialistas em congresso
No período da tarde do primeiro dia do 4º Congresso de Medicina Geral da AMB, a mesa-redonda “Clínica Médica” discutiu a segurança do paciente e os desafios da formação médica no Brasil. A atividade foi coordenada pelo Dr. Fernando Sabia Tallo, Diretor Tesoureiro da AMB, que também participou como palestrante.
A primeira apresentação foi conduzida pelo Dr. Carlos Magno Pretti Dalapicola, conselheiro federal pelo Espírito Santo. O especialista destacou a importância de identificar, investigar e comunicar falhas assistenciais para evitar que incidentes se repitam.
Segundo o médico, o efeito adverso não deve ser tratado como motivo de punição automática, mas como oportunidade de aprimorar processos e proteger o paciente. “A segurança do paciente deve estar acima de qualquer receio. O importante é ter medidas, plano de ação e comunicação entre as equipes para que o evento não volte a acontecer”, afirmou.
Durante a apresentação, Carlos Magno diferenciou efeito colateral, que é uma resposta conhecida e esperada de um medicamento ou procedimento, de efeito adverso, que ocorre de forma não intencional e pode gerar dano ao paciente. O especialista citou exemplos como erro de dose, falha na identificação de alergias, medicação administrada ao paciente errado e complicações evitáveis durante a internação.
“A prevenção de efeito adverso e a promoção de segurança do paciente exigem uma atuação contínua”, reforçou. Para ele, a gestão de riscos passa por medidas simples, como identificação correta do paciente, comunicação entre equipes, checagem de procedimentos e atenção constante aos sinais de falha na assistência.
Na sequência, o Dr. Fernando Sabia Tallo, Diretor Tesoureiro da AMB, propôs uma reflexão sobre a expansão das escolas médicas no país e a necessidade de valorizar a docência como parte essencial da qualidade da formação. “Isso está muito na nossa consciência hoje em dia, com essa política expansiva que houve na graduação médica brasileira”, afirmou. Para ele, o debate não deve se limitar ao número de cursos ou vagas, mas também à qualidade dos professores responsáveis por formar os futuros médicos.
A apresentação destacou que saber exercer a medicina não significa, necessariamente, saber ensiná-la. Fernando Sabia Tallo defendeu que o professor precisa traduzir o conhecimento prático, reconhecer dificuldades dos estudantes e adaptar a forma de ensinar. “Ensinar é uma profissão, não é uma atividade acessória”, disse.
No debate, os especialistas relacionaram diretamente a formação médica e segurança do paciente. Para Carlos Magno, falhas básicas na avaliação clínica ainda aparecem na prática e podem comprometer diagnósticos. A mesa reforçou que a segurança do paciente depende tanto de processos assistenciais bem estruturados quanto de uma formação médica sólida.
O tema mostrou que prevenir danos, reconhecer riscos e formar bons profissionais fazem parte da mesma agenda: garantir uma medicina mais segura, responsável e preparada para responder às necessidades da população.