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World Medical Association reúne especialistas no Brasil para discutir futuro ético dos dados em saúde

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A World Medical Association (WMA/Associação Médica Mundial) iniciou nesta quinta-feira (5), em São Paulo, a 2ª Reunião Aberta de Especialistas sobre a revisão da Declaração de Taipei, um dos principais marcos éticos da WMA para orientar o uso de bases de dados de saúde e biobancos para além da pesquisa científica. Com organização da Associação Médica Brasileira (AMB), o encontro segue até sexta-feira (6), e está sendo realizado na sede da Associação Paulista de Medicina (APM), centro da capital paulista.

Adotada originalmente em 2002 e atualizada em 2016,  Declaração de Taipei trata de temas como confidencialidade, confiança e proteção de informações sensíveis, reconhecendo que os maiores riscos à integridade dos dados muitas vezes decorrem de usos comerciais, administrativos ou políticos indevidos — e não da ciência em si. Nesse contexto, os médicos são reafirmados como guardiões responsáveis pelas informações em saúde

A abertura da reunião contou com a participação do diretor de Relações Internacionais da AMB, Dr. Carlos Serrano, e do professor de dermatologia da University of California, San Francisco (UCSF), Dr. Jack Resneck — presidente da American Medical Association (AMA) entre 2022 e 2023 e referência internacional em políticas de saúde. E também com os diretores da AMB, Dr. José Eduardo Dolci (cientfífico), Dr. Florisval Meinão (secretário-geral) e Dr. Rômulo Capello Teixeira (Cultural) e Etelvino de Souza Trindade (vice-presidente da região Centro Oeste), Dr. Bento José Bezerra (vice-presidente da região Nordeste), Dr. Paulo Toscano (vice-presidente da região Norte) bem como o presidente da APM, Dr. Antonio José Gonçalves.

Para o Dr. Carlos Serrano, a Declaração de Taipei trata de um tema fundamental para a pesquisa clínica: o uso ético dos dados de saúde e das amostras biológicas armazenadas em biobancos. Ele reforça, que o médico é o guardião dessas informações, mas o proprietário do material é sempre o paciente, o que exige grande responsabilidade na forma de armazenar, proteger e utilizar esses dados e amostras. Com os avanços acelerados da tecnologia, especialmente da inteligência artificial e das novas ferramentas de análise de dados, surgem desafios importantes que precisam ser debatidos.

“A declaração é essencial para orientar como proteger os pacientes, evitar o uso indevido dessas informações e lidar também com possíveis interesses comerciais. A participação da Associação Médica Brasileira nesse processo é muito relevante, pois a entidade reúne diversas sociedades médicas e contribui para levar essas discussões a toda a comunidade científica”, afirmou o diretor de Relações Internacionais.

Segundo o Dr. José Eduardo Dolci, este evento da WMA, realizado com a participação ativa da AMB, tem grande importância para nós e para a Medicina brasileira. “Aqui estão sendo discutidas atualizações em declarações fundamentais, como as de Taipei e Helsinque. Mesmo que algumas mudanças sejam pontuais, elas são extremamente relevantes e ficarão registradas como parte de um processo construído também no Brasil, em São Paulo, com a participação da AMB. Sem dúvida, trata-se de um marco muito importante para a nossa entidade”, afirmou Dr. Dolci.

Declaração de Taipei
O processo de revisão teve início em abril de 2025, com a criação de um grupo de trabalho específico, e busca atualizar o documento diante das profundas transformações tecnológicas em curso.

O avanço da saúde digital, da inteligência artificial, das abordagens multiômicas (que integra diferentes tipos de análises biológicas “ômicas”) e da análise de big data vem alterando significativamente a forma como dados e materiais biológicos são utilizados na assistência, na pesquisa, na saúde pública e também em ambientes comerciais.

Essas mudanças tornam cada vez mais tênues as fronteiras entre cuidado e pesquisa, além de levantarem questões éticas centrais, como consentimento, transparência, privacidade, responsabilização e equidade. A ampliação da capacidade de cruzamento e compartilhamento internacional de dados, somada à crescente comercialização de produtos baseados em informações de saúde, reforça a necessidade de diretrizes claras quanto à governança, ao interesse público e à repartição de benefícios.

Ao promover reuniões regionais de especialistas em diferentes partes do mundo, a WMA pretende ampliar a escuta e qualificar o debate global. Em São Paulo, o encontro reúne representantes da academia, de organizações não governamentais, de autoridades governamentais e demais interessados para discutir a minuta atual da Declaração e propor estratégias que fortaleçam a governança ética de bases de dados de saúde e biobancos na era da saúde digital e da inteligência artificial.

Confira a programação completa da reunião clicando aqui.

Diretores da AMB durante abertura da reunião do WMA


Assessoria de Comunicação da AMB