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No Dia da Mulher, AMB reforça compromisso com os direitos do trabalho da médica brasileira

Neste Dia Internacional da Mulher, celebrado em 8 de março, a Associação Médica Brasileira (AMB) destaca a atuação da Comissão Nacional em Defesa dos Direitos do Trabalho da Mulher Médica (CONADEM), instância criada para fortalecer a proteção, a valorização e a equidade nas relações profissionais das médicas em todo o País.

A comissão é liderada pela vice-presidente da AMB, Dra. Luciana Rodrigues, com apoio das diretoras, a Dra. Maria Rita de Souza Mesquita, primeira secretária da entidade e presidente da Associação de Obstetrícia e Ginecologia do Estado de São Paulo (SOGESP) e a Dra. Claudia Navarro Carvalho Duarte Lemos, vice-presidente da Região Sudeste da AMB.

Em um cenário no qual as mulheres já representam parcela expressiva da força de trabalho na Medicina — e são maioria entre os estudantes de graduação —, persistem desafios históricos ligados à desigualdade salarial, à baixa representatividade em cargos de liderança, à sobrecarga decorrente da dupla jornada e à necessidade de ambientes profissionais mais seguros e respeitosos. De acordo com a dra. Luciana, a presença feminina na profissão vem crescendo de forma significativa nos últimos anos. “A presença feminina na Medicina vem crescendo bastante. Em 2025, o número de mulheres médicas acabou de ultrapassar o número de homens médicos. O número de estudantes de Medicina já vem aumentando há alguns anos e sabemos que isso tem ganhado um impulso muito grande”, destacou.

A dra. Maria Rita, explica que a missão do CONADEM é desenvolver iniciativas capazes de promover equidade e inclusão dentro da Medicina. “Nossa missão é criar ações práticas que fortaleçam a equidade da assistência à saúde relacionadas à diversidade e às minorias, considerando diferentes características biológicas, culturais e sociais.”

Apesar do avanço numérico, a médica destaca que essa evolução ainda não se reflete plenamente nos espaços de liderança. Segundo a dra. Luciana esse crescimento ainda não se reflete nos cargos de liderança. A maioria desses cargos ainda é exercida por homens. “De maneira geral, menos de 30% das posições de liderança são ocupadas por mulheres. E as médicas enfrentam dificuldades significativas, como situações de assédio e barreiras para se expressar e se posicionar”, ressaltou ela.”

Produção de dados e diagnóstico da realidade

Frente à realidade atual — que demanda que os direitos e a proteção das mulheres médicas sejam debatidos e garantidos —, a AMB decidiu expandir as ações do CONADEM. Uma das iniciativas em andamento é a realização de estudos inéditos sobre a realidade profissional das médicas brasileiras.

A dra. Luciana ressaltou que o CONADEM vem realizando três trabalhos muito significativos — um qualitativo e dois quantitativos — para estudar a fundo os desafios das mulheres médicas. Esse é um passo muito importante e inédito entre as instituições.”Segundo ela, o objetivo é transformar esse diagnóstico em ações concretas e políticas institucionais capazes de ampliar a equidade na profissão.

E a dra. Maria Rita reforça ainda que os desafios enfrentados pelas médicas vão além da representatividade institucional. “No geral, as mulheres no Brasil, assim como em vários países, enfrentam desafios importantes nas múltiplas áreas de atuação. Entre eles estão desigualdade no mercado de trabalho, diferenças salariais e menores oportunidades em cargos de liderança, além de situações de violência física, psicológica, sexual e doméstica”, disse ela.

Sensibilização de gestores e políticas públicas

Os estudos também devem subsidiar o debate público sobre o tema e contribuir para a formulação de políticas voltadas à valorização da mulher médica. “A AMB está fazendo um trabalho bastante significativo. Depois queremos levar essas questões que afligem as mulheres para divulgação ampla, a fim de sensibilizar gestores em várias esferas para os desafios enfrentados pelas médicas.”, lembra a 1ª vice-presidente da entidade.

Entre os temas prioritários debatidos pela Comissão estão:

  • Equidade salarial e transparência nas relações de trabalho
  • Combate ao assédio moral e sexual nos ambientes de saúde
  • Garantia de condições adequadas durante a gestação e o período de amamentação
  • Defesa de licença-maternidade digna e estabilidade profissional
  • Promoção da presença feminina em posições de liderança e decisão

Segundo a dra. Maria Rita é essencial adoção de políticas públicas estruturais para ampliar a participação das mulheres na gestão da saúde. “É fundamental promover igualdade de oportunidades, com processos de seleção mais transparentes, metas de equilíbrio de gênero e programas de formação em liderança, além de políticas de conciliação entre trabalho e vida familiar”, explica.

Mensagem às novas gerações

Ao falar com médicas jovens e estudantes, a vice-presidente da AMB destaca a importância da inspiração, da consciência crítica e da busca por igualdade de oportunidades.

“A mensagem para as médicas jovens e estudantes é que se inspirem em outras mulheres, que façam uma reflexão crítica das situações que vivem e lutem pelas oportunidades e pelas aspirações que tiverem, porque têm os mesmos direitos que os homens.” Ela também reforça que o avanço da equidade depende de uma transformação coletiva dentro da profissão e da sociedade.

“Os homens podem e devem ser aliados das mulheres, não só na profissão, mas também nas responsabilidades familiares, nos trabalhos domésticos e na criação dos filhos. Existem muitos homens que apoiam suas colegas nessa busca por igualdade de condições”, complementou.

Mesmo pensamento aponta a Dra. Maria Rita que reforça a importância da perseverança das novas gerações. “Nossa mensagem é de confiança, encorajamento, força e perseverança para exercer a Medicina com sensibilidade e competência, abrindo caminhos para novas gerações e fortalecendo uma assistência à saúde cada vez mais igualitária e humana.”

Compromisso permanente

Para a AMB, a promoção da equidade de gênero depende do engajamento coletivo de toda a sociedade e das instituições de saúde.

“A sociedade exerce um papel importante na promoção da equidade de gênero na Medicina por meio da adoção de medidas de apoio à igualdade de oportunidades, respeito nos ambientes profissionais e combate a atitudes discriminatórias e diferentes formas de assédio contra as mulheres”, ressalta a dra. Maria Rita.

rodape

Assessoria de Comunicação da AMB