AMB consegue na Justiça nulidade dos diplomas da Sobrati

Sociedade terá de cancelar concursos e não poderá emitir certificados de especialidade. Em caso de descumprimento, a Sobrati pagará multa de R$ 100 mil cada descumprimento da decisão.

A Associação Médica Brasileira (AMB) obteve, no início do mês de julho, uma segunda importante vitória judicial contra prática ilegal e indevida da Sociedade Brasileira de Terapia Intensiva (Sobrati), que concedia sem autorização ou respaldo legal títulos de especialistas em medicina intensiva.

A decisão tomada pelo Tribunal de Justiça do Estado São Paulo confirmou que a AMB é a entidade oficial e detentora dos direitos legais e exclusivos de ministrar cursos e certificar especialistas no Brasil. Com isso, a Sobrati foi proibida de abrir cursos e de emitir títulos de especialidades, além de ter seus concursos anulados e os certificados emitidos suspensos.

A Sobrati já havia sido acionada pela AMB, em 2014, em um processo contra a implementação de um programa, nos moldes do Mais Médicos, em parceria com Universidad de Aquino (Udabol), na Bolívia. O acordo estabelecia que profissionais da saúde com dois anos ou mais de experiência no sistema de saúde poderiam ingressar em um programa especial de graduação em Medicina, por meio de convênio com a Udabol.

O assessor jurídico da AMB, Dr. Carlos Michaelis Jr, comemora: “a Sobrati estava, de forma recalcitrante, insistindo no descumprimento da lei e das resoluções que regem as sociedades de especialidades, a decisão do Poder Judiciário vai coibir tais práticas.”

A Associação Médica Brasileira reitera o compromisso, com a classe médica, de zelar pelas boas práticas na profissão e, com a população, de lutar para assegurar bons médicos para todos.

Entenda a ilegalidade

A Associação Médica Brasileira é detentora de deleções legais, do direito (exclusivo) de ministrar cursos e conceder o título de “Especialista em Medicina Intensiva”. Mencionado direito também foi reconhecido pelo Conselho Federal de Medicina e pelo Ministério da Educação e Cultura.

Entretanto, a Sobrati, de forma indevida, passou a conceder títulos de especialista em medicina intensiva, afrontando as normas legais. Ela estava, inclusive, certificando pessoas não formadas em medicina. O art. 3º da Resolução nº 1.659/03 do Conselho Federal de Medicina, com a redação dada pela Resolução CFM nº 1970/11: “fica vedada ao médico a divulgação de especialidade ou área de atuação que não for reconhecida pelo Conselho Federal de Medicina”.

A mesma Resolução, no art. 4º, estabelece que “o médico só pode declarar vinculação com especialidade ou área de atuação quando for possuidor do título ou certificado a ele correspondente, devidamente registrado no Conselho Federal de Medicina”.

Já o art. 5º desse diploma legal dispõe que “fica vedado, por qualquer motivo, o registro e reconhecimento das especialidades não constantes do anexo II do convênio”.

A sobrati, além de desobedecer a regulamentação, mantinha cursos de graduação e pós-graduação na área de medicina intensiva sob a alegação de possuir, dentre suas finalidades, o objetivo de contribuir para o estabelecimento de critérios para a criação de escolas médicas no país, novos cursos de medicina, abertura de convênios e tratados sob a ótica da medicina, bem como o de incrementar, regulamentar e coordenar as atividades do exercício das especialidades médicas em todo o território nacional. E de forma irregular, divulgou, em maio de 2014, a intenção de criar o Programa Mais Médicos Brasileiros. A chamada dizia que profissionais da saúde que comprovassem dois anos ou mais de atuação no Sistema de Saúde poderiam ingressar em um Programa Especial de Graduação em MEDICINA, por meio de convênio firmado com a Universidade boliviana (UDABOL). A divulgação dizia ainda que seria permitido o ingresso de pessoas cursando até o sétimo semestre, devendo permanecer o estudante de medicina por no mínimo dois anos na cidade de Santa Cruz – Bolívia – e em um ano de internato no Brasil para as disciplinas básicas como Clínica, Pediatria, entre outras, para que pudesse ser diplomado como Médico.

Com base na Resolução 1634 Conselho Federal de Medicina, em 2002, a especialidade em Medicina Intensiva foi reconhecida. Mas a concessão de título de especialista nesta área seria concedido depois de um curso com duração de dois anos, realizado pelo Programa de Residência Médica em Medicina Intensiva, por meio de concurso da Associação de Medicina Intensiva Brasileira (AMIB) e fiscalizado pela Comissão Nacional de Residência Médica (CNRM).

COMUNICADO NÚMERO II: FATOR DE QUALIDADE E LEI 13003

BRANCO

Prezados Presidentes, Diretores de Defesa Profissional e demais colegas: A Associação Médica Brasileira, entidade aglutinadora e representativa de todas as Sociedades Médicas de Especialidade, aconselha veementemente a todas, principalmente àquelas envolvidas com a primeira fase da discussão sobre o Fator de Qualidade na contextualização da Lei n° 13003, junto à Agência Nacional de Saúde Suplementar – ANSque evitem negociar quaisquer propostas de valoração deste Fator de Qualidade, que implique na diminuição do reajuste anual a ser praticado na referida lei, e acordado pelas entidades médicas, operadoras de saúde e ANS, o IPCA. Em nenhum momento da difícil tratativa da operacionalidade da Lei n°13003, foi acordado por esta Associação Médica Brasileira, como representante de todas as sociedades médicas, qualquer premissa que levasse a um reajuste anual inferior àquele acordado como a vir ser praticado nos contratos, excludentes da livre negociação e que deve ser novamente compulsado por todas as sociedades de especialidades. Reafirmamos o que postulamos em nosso primeiro comunicado de 14/05/2015: o Fator de Qualidade, a ser discutido entre as entidades e a ANS, deverá ser implementado como uma ferramenta de premiação e de agregação de valor ao serviço de excelência em saúde, que contemple a melhor qualidade assistencial possível, no atendimento aos nossos pacientes e, não, como uma penalidade àqueles que ainda não os possuem. Não podemos entender ou admitir, que distorções como esta, hora proposta pela diretoria colegiada da Agência Nacional de Saúde Suplementar, que confundem e desagregam este já tão desregulado e injusto sistema de saúde, tenham eco por parte de qualquer profissional com senso ético e responsabilidade assistencial. Certo de estarmos com este comunicado, contribuindo com uma melhor qualidade da assistência em saúde, que deverá ser praticada em benefício de nossos pacientes, solicitamos em defesa desta premissa, que esta recomendação seja observada.

Clique aqui

Hospital São Paulo pede socorro

Arquivo 30-06-15 22 23 54

Há duas semanas, o Hospital São Paulo (HSP), uma das principais referências no país no atendimento a pacientes, convive com a greve de cerca de 1.200 médicos residentes. Mas mais do que a paralisação, o HSP vem convivendo há alguns anos com a falta de estrutura de atendimento aos seus pacientes.

Mensalmente, são realizadas mais de 90 mil consultas, 2.600 internações, 1.600 cirurgias e cerca de 290 mil exames laboratoriais. Diariamente, são atendidos cerca de 4 mil pacientes ambulatoriais e mil nos serviços de pronto-socorro e pronto atendimento. Mesmo com toda essa importância, o hospital tem reduzido os investimentos e já é notória a falta de remédios básicos e de manutenção de equipamentos de diagnóstico por imagem.

O presidente da Associação de Médicos Residentes do Estado de São Paulo (Ameresp), Dr. Diego Garcia, explicou as motivações dos médicos residentes do HSP de entrarem em greve e também quais são os próximos movimentos da paralisação, que já tem um Ato Público sendo organizado e que pretende sensibilizar o ministro da Saúde, Arthur Chioro.

 

diego garcia (1)Primeiramente, o que é o Ato Público que os médicos residentes farão logo mais na Unifesp?

Acontece hoje, às 13h, no prédio da Unifesp. Será um ato civilizado e todos participantes estarão usando seus jalecos, assim como estarão com as mãos amarradas por uma faixa preta.

Queremos mostrar que não estamos de braços cruzados como parte da mídia tem divulgado, mas sim de mãos atadas pela falta de materiais, por conta dos equipamentos quebrados, etc.

Vamos aproveitar a presença do ministro da Saúde, Arthur Chioro, para entregar uma carta com nossas manifestações.

 

Por que foi decidido fazer a greve?

O movimento acontece após rodadas de negociações frustradas com a direção do hospital e é realizado em parceria com a Associação dos Médicos Residentes da Escola Paulista de Medicina (Amerepam).

A paralisação é decorrente da falta de estrutura a pacientes e médicos. Entre os principais problemas estruturais está a limitação de insumos cirúrgicos e exames de laboratório, falta de medicamentos, fechamento da sala de trauma e a falta de enfermeiros.

Com a falta de materiais básicos e má estrutura que temos no Hospital São Paulo, estamos colocando em risco a vida dos pacientes. Além disso, também há um grande déficit no desenvolvimento do aprendizado dos médicos residentes, que não conseguem prestar um socorro digno à população.

  

Houve uma reunião com o Conselho Gestor do Hospital São Paulo que indicava o final da greve. O que aconteceu? Por que decidiram manter a paralisação?

Sim, houve uma reunião com o Conselho Gestor na última sexta-feira, dia 26 de junho. Infelizmente, o documento apresentado segunda-feira (dia 29) pelo HSP (Hospital São Paulo) desconsiderou uma semana de negociações. A proposta formalizada foi diferente do que vinha sendo negociada com os residentes, além de ser inconsistente e sem clareza ou compromisso de prazos para solução de problemas sérios para o atendimento aos pacientes.

 

O que, por exemplo, não foi mantido na proposta formalizada pelo Conselho Gestor e que havia sido acordado na sexta-feira?

Um dos pontos prioritários apontados pelos médicos é a falta de medicamentos. Na reunião da última sexta-feira havia sido acordado entre as partes o repasse de R$ 3 milhões somente para a resolução deste item. No entanto, no documento oficial de contraposta do HSP o valor para compra de remédios foi excluído. Além disso, o documento faz menção a um estoque de medicação capaz de atender a demanda até dezembro de 2015, o que é sabidamente não verdadeiro, já que medicamentos básicos, como anfotericina B, Aciclovir, fluco EV, Protamina, Atrovent e enteroclisma estão em falta no hospital. Inclusive, tem sido negada a liberação da lista de medicamentos aos residentes para que não haja transparência sobre a falta destes em estoque.

Outro setor crítico é o de manutenção de equipamentos, como os de diagnóstico por imagem. Estava acordado para começar a partir da primeira quinzena de julho, mas, no documento apresentado pelo HSP, não consta mais previsão de data para resolução do problema.

 

Quais serão os próximos passos do movimento?

Uma nova assembleia será marcada ainda para esta semana, quando será definido se os cerca de 1.200 médicos residentes que trabalham no Hospital São Paulo continuarão a greve pela melhoria na estrutura de atendimento aos pacientes.

 

Prorrogadas as inscrições para o IV Concurso Nacional de Contos e Crônicas da AMB

IV-Concurso

Foram prorrogadas até 31 de agosto as inscrições para o IV Concurso Nacional de Contos e Crônicas. Os interessados poderão enviar os trabalhos até essa data para a sede da AMB, na rua São Carlos do Pinhal, 324, em São Paulo – SP, CEP 01333-903, aos cuidados do Departamento Cultural.

A participação é gratuita, restrita aos associados da Associação Médica Brasileira, que poderão inscrever somente um trabalho por modalidade, com tema livre e inédito, assinado obrigatoriamente por pseudônimo. Os textos devem ser de no máximo duas páginas digitadas, enviados em cinco cópias em envelope único, legível, também identificado por pseudônimo.

Outras informações sobre as inscrições, regras do concurso e premiação poderão ser obtidas pelo e-mail cultural@amb.org.br ou pelo site www.amb.org.br.

Dia Internacional de Luta contra o Uso Indevido e Tráfico de Drogas

Consumo e produção de drogas alcança altos índices e preocupa governos e autoridades mundiais de saúde

 

drogas1

Neste dia 26, comemora-se Dia Internacional da Luta contra o Uso Indevido e Tráfico de Drogas. A Assembleia Geral da ONU decidiu estabelecer esta data como expressão da determinação de alcançar uma sociedade livre do abuso de drogas.

Este problema é cada vez mais preocupante no mundo. O consumo preocupa famílias, governos, polícias e autoridades mundiais de saúde. Segundo o último Relatório Mundial sobre Drogas da ONU, cerca de 5% da população mundial entre 15 e 64 anos usa algum tipo de droga ilícita, o que corresponde a 243 milhões de pessoas.

Além disso, a cada ano novas drogas passam a ser ilegalmente comercializadas. De acordo com dados do mesmo relatório, o número de substâncias psicoativas dobrou entre 2009 e 2013.

Um fato que, atualmente, está preocupando autoridades de saúde do mundo todo é consumo de drogas sintéticas, que são quimicamente produzidas em laboratórios clandestinos e consideradas estimulantes poderosos, depressores ou perturbadores do Sistema Nervoso Central. Algumas dessas substâncias imitam a maconha, a cocaína e o LSD e escondem riscos ainda maiores à saúde, por serem até cem vezes mais potentes e causarem efeitos drásticos. São altamente viciantes e podem ocasionar danos irreparáveis ao cérebro, levando à psicose, transtorno de ansiedade generalizada e até esquizofrenia.

No Brasil, além de serem um problema social e de saúde pública, as drogas estão diretamente ligadas à violência e à criminalidade. O tráfico leva milhares de jovens e adultos ao crime e alimenta um sistema social com muita injustiça e violência.

Segundo a psiquiatra e diretora da AMB, Jane Maria Cordeiro Lemos, “ A procura pelas drogas tem a ver com fatores internos do indivíduo. Problemas nas relações pessoais, na estrutura familiar e todo o tipo de stress. Tudo isso contribui para que se busque as drogas, principalmente os adolescentes, mas isso também ocorre com adultos”.

No nosso país, até os anos 80, os estudos não mostravam taxa elevada de consumo entre estudantes. A partir dos anos 90, o quadro começou a mudar e o consumo de inalantes, maconha, cocaína e crack em capitais aumentou, mas o álcool e tabaco eram as drogas mais utilizadas. Nos últimos anos o consumo de drogas triplicou, mesmo com esforços do governo e da polícia para deter o narcotráfico.

Comunicado importante sobre a implementação do “Fator de Qualidade” como RN à Lei 13003.

COMUNICADO OFICIAL DA ASSOCIAÇÃO MÉDICA BRASILEIRA

Assunto: Relatório da Reunião no 01/2015/GERAR/DIDES/ANS

Grupo de Trabalho referente à regulamentação do Fator de Qualidade para prestadores de Serviços Hospitalares e de SADT, previsto na Resolução Normativa n 364/14.

Desde o início das discussões e consultas referentes a lei 13.003, que normatiza as relações contratuais entre operadoras e prestadores de serviços no âmbito da Saúde Suplementar, a Associação Médica Brasileira questionou os critérios que seriam adotados para a implementação do instrumento denominado pela ANS como “Fator de Qualidade”.

Este questionamento deveu-se, principalmente, ao fato de, por parte da própria Agência Reguladora, não haver critérios claros e precisos do que seria definido como “Fator de Qualidade”.

Entendemos que este fator deva:

1) Agregar valor ao atendimento final de nossos pacientes.

2) Valorizar de forma indelével quem o pratique.

Em virtude desta indefinição na época, por parte da ANS, não aceitamos que este instrumento fosse praticado e operacionalizado no texto da lei 13.003, sem uma ampla e democrática discussão com as entidades médicas e associações de defesa dos pacientes.

Entendendo nossas justificativas, e por falta de argumentos contraditórios convincentes, a agencia reguladora (ANS) concordou que esta discussão se estabelecesse no âmbito dos prestadores por um ano (serviços hospitalares e SADT) e por dois anos (serviços ambulatoriais).

Entretanto, uma questão ficou muito clara, no decorrer desta discussão: a AMB não aceitaria qualquer proposição que condicionasse o reajuste mínimo e já questionavelmente admissível do IPCA (que, na falta de acordo entre as partes, orientará o reajuste dos procedimentos médicos anualmente) a ser deflacionado sob a alegação da aplicação de um “Fator de Qualidade”.

Entendemos como premissa ética que quem apresenta melhores resultados terapêuticos no tratamento de seus pacientes deve ser valorizado, este é o nosso objetivo maior na Associação Médica Brasileira: a valorização qualitativa do exercício profissional. Mas entendemos também que, em uma sociedade assimétrica como a nossa, que no seu trágico cotidiano, o atendimento assistencial não é provido de recursos técnicos e estruturais minimamente qualificados, cuja responsabilidade principal é do Estado, e no caso da Saúde Suplementar, de sua agência reguladora, não podemos penalizar, como de praxe, o profissional médico, pela não qualificação e, principalmente, por uma não qualificação sob critérios questionáveis.

E, neste contexto, nos surpreende o comunicado acima enunciado desta agência reguladora, que em sua primeira reunião com prestadores da área hospitalar e SADT, postula em seu item 2: Contribuições:

“que a acreditação inferior à acreditação plena conferirá ao Fator de Qualidade valor igual a 0.9% do IPCA, e que este valor será igual a 0.8% para quem não for acreditado ou não estiver inscrito em um programa de acreditação”. Ou seja, na prática, 10% e 20% de ‘desconto” sobre um índice já insuficiente (pois irreal) de reajuste sobre procedimentos médicos (incluindo aí consultas).

A Associação Médica Brasileira, em defesa de seus princípios, de seus associados e, principalmente em defesa dos quase cinquenta milhões de pacientes que compõem o contingente do atendimento da saúde suplementar em nosso país, não pode aceitar que esta violência contra a saúde suplementar se concretize.

Se não houver uma remuneração compatível, para que profissionais possam exercer de forma digna e soberana suas obrigações éticas e constitucionais, estaremos privilegiando o lucro e o mercantilismo na assistência aos nossos pacientes. E, temos a certeza de que, apesar dos equívocos, não é este o desejo, nem a missão da Agência Reguladora (ANS).

A Associação Médica Brasileira repudia formalmente a proposição explícita no documento da Agência Reguladora (ANS), mas mantém aberto o canal do diálogo e do entendimento que favoreça o digno exercício dos profissionais da saúde em nosso país e o fortalecimento da assistência aos nossos pacientes.

E entendemos, que decisões como esta, ora explicitada pela “diretoria colegiada” da ANS, nada contribuem para esses objetivos.

Dr. Emilio Cesar Zilli
Diretor Defesa Profissional

Dr. Florentino Cardoso
Presidente AMB

Clique aqui para fazer download do documento.

Superbactérias ameaçam a saúde no mundo

Microrganismos resistentes a antibióticos causam preocupação em governos e autoridades de saúde em todo o planeta. Mobilização mundial seria necessária para combater o problema

iStock_000015579031_Large

Nesta terça-feira (23), o pronto-socorro do Hospital Municipal de Guarulhos, São Paulo, foi interditado devido à contaminação do local pela bactéria Acinetobacter baumannii, que causou a morte de quatro pacientes entre maio e junho. No fim do último mês passado, outras três pessoas morreram devido a infecções no Hospital Regional de Taguatinga (HRT), no Distrito Federal. Duas foram diagnosticadas com enterococo e uma com Klebsiella Pneumoniae Carbapenemase (KPC), que estão na lista de bactérias com resistência a antibióticos.

O problema não é novo. Microrganismos como esses espalham-se pelos hospitais do mundo todo e preocupam as autoridades de saúde. Surgiram por causa do uso incorreto e indiscriminado de antibióticos. Algumas pessoas, ao melhorar, interrompem o tratamento prescrito pelo médico e em decorrência disso, as bactérias não são eliminadas e assim desenvolvem resistência ao antibiótico.

As superbactérias costumam atacar em hospitais, principalmente nos centros cirúrgicos. Isso acontece, porque nesses locais os pacientes costumam estar com o organismo debilitado e, se os procedimentos de higienização e desinfecção não forem corretamente efetuados, pode haver a entrada e o rápido desenvolvimento desse tipo de germe nos pacientes.

Depois que entram em um organismo enfraquecido, essas bactérias causam infecções difíceis de curar, podendo levar o indivíduo à morte. Costumam ser combatidas com antibióticos muito fortes, que podem gerar efeitos colaterais indesejados no organismo dos pacientes.

De acordo com o Dr. Alberto Chebabo, médico infectologista e coordenador de Bacteriologia Clínica da Sociedade Brasileira de Infectologia, além das medidas básicas de desinfecção, nos hospitais também se deve “identificar os pacientes que tenham bactérias super-resistentes no organismo e imediatamente coloca-los em restrição de contato, a fim de diminuir o risco de transmissão cruzada dessas bactérias no ambiente hospitalar”. Ele ainda acrescenta que “fora dos hospitais é preciso reduzir o uso inadequado de antibióticos, especialmente os de amplo espectro, que são aqueles utilizados contra um grande número de bactérias, pois isso aumenta a chance de surgirem microorganismos resistentes”.

Segundo projeções do instituto de pesquisas Rand Europe e da empresa de consultoria KPMG, as superbactérias matarão pelo menos 10 milhões de pessoas por ano a partir de 2050. O premiê britânico, David Cameron, indicou o economista Jim O’Neill, ex-presidente do grupo financeiro Goldman Sachs, para criar um plano de combate ao problema.

O’Neil propôs que seja feita uma coalisão de diferentes países em torno de um fundo de investimento para afastar a ameaça de “superbactérias”, no futuro. Segundo a proposta, o fundo teria que investir cerca de US$ 2 bilhões nos próximos cinco anos, estimulando, assim, a indústria farmacêutica a desenvolver uma nova classe de antibióticos capaz de eliminar esses germes.

Uma área promissora de pesquisa desenvolveu compostos chamados “quebradores de resistência”, uma alternativa mais barata e eficaz para combater o problema. Essas substâncias aumentam a eficácia dos antibióticos já existentes, ao reduzir a resistência bacteriana a eles.

As superbactérias surgiram como um dos principais problemas de saúde pública da última década. O fenômeno tem apresentado constante crescimento e, por enquanto, esses microrganismos se mostram bastante resistentes à maioria dos antibióticos. Por isso, as medidas de prevenção e de controle são indispensáveis em todos os hospitais, centros cirúrgicos e quaisquer outros ambientes que estejam sujeitos à sua proliferação.

RAMB tem novo aumento no fator de impacto

A Revista da AMB teve novo aumento em seu fator de impacto: de 0,915 aferido em 2013 para 0,933 em 2014, resultado que coloca a RAMB entre as 20 revistas brasileiras mais citadas. Este é o terceiro ano que a revista da AMB apresenta aumenta no fator de impacto.

As informações constam na lista do Journal Citation Reports (JCR), e foram divulgadas pelo Portal ISI WEB Knowledge em 18 de junho, tendo como base estatística de dados de citação em 2014. Em 2012, o fator de impacto da Ramb utilizando os mesmos critérios apurados pelo JCR foi de 0,771, ou seja, a Ramb aumentou o número de citações em 0,162 em apenas dois anos.

“Esse resultado é importante para a RAMB e sinaliza que estamos no caminho certo visando aumentá-lo a cada ano. Acreditamos que nossas estratégias, como alterar a periodicidade da revista para mensal, produção de edições temáticas, reformulação no quadro de revisores e alterações no processo de submissão dos artigos para dar mais agilidade ao andamento dos artigos, possam elevar ainda mais esse número de impacto”, destaca o editor-chefe da Ramb, Carlos Serrano.

O fator de impacto é uma medida que demonstra a média de citações de  artigos científicos publicados em determinada revista, servindo como parâmetro para avaliar e comparar periódicos de uma mesma área. Quanto maior for o fator de impacto de uma revista, maior serão as chances do artigo ser citado.

Além do Journal Citation Report (Science Citation), que avalia as revistas, a Ramb também aparece no SJR SCImago (Journal & Country Rank da base de dados Scopus/Elsevier), com 0.267 (2013) e a avaliação no Qualis/Capes – B3. É Indexada nas bases LILACS; PubMed (Medline); Scopus e Scielo.

Ano de Referência Fator de Impacto Ano de Divulgação
2012 0,771 2013
2013 0,915 2014
2014 0,933 2015

Fonte: Journal Citation Reports (JCR)

Dia Mundial de Conscientização sobre a Doença Falciforme busca orientar a população mundial

Data foi instituída pela ONU para chamar a atenção e sensibilizar as pessoas a respeito desta que é uma das doenças hereditárias de maior incidência no planeta

anemia-falciforme

Hoje, 19 de junho, é o Dia Mundial de Conscientização sobre a Doença Falciforme. Instituído pela ONU, este dia tem o objetivo de informar e conscientizar as populações do mundo sobre esta doença.

Dentro do nosso sangue, existem células que fazem o transporte do oxigênio e do gás carbônico do pulmão aos tecidos do corpo: as hemácias ou glóbulos vermelhos. A doença falciforme é uma patologia hereditária causada por uma mutação genética que provoca alteração nas hemácias. Desse modo, elas perdem a forma arredondada, elasticidade e adquirem o aspecto de uma foice (daí o nome falciforme), enrijecendo-se. Isso torna mais difícil a passagem do sangue pelos vasos sanguíneos menores e a oxigenação dos tecidos, o que acaba provocando anemia.

A anemia falciforme (que é causada pela doença) pode se manifestar de forma diferente em cada pessoa. Os sintomas costumam aparecer na segunda metade do primeiro ano de vida da criança. Eles incluem dores nos ossos, músculos e articulações, cansaço, icterícia, tendência a infecções e feridas nas pernas.

Para evitar complicações, é importante que o diagnóstico seja realizado cedo. O teste do pezinho é bastante eficiente na detecção do problema. No entanto, o exame específico para isso é a eletroforese de hemoglobina.

Não há tratamento específico para a anemia falciforme, mas é possível viver com os sintomas. Quem tem a doença precisa de acompanhamento médico constante para manter a oxigenação adequada nos tecidos e a hidratação, prevenir infecções e controlar as crises de dor. Existe possibilidade de cura através do transplante de medula óssea, mas o procedimento é arriscado em pacientes já comprometidos pela doença.

Lançamento da Frente Nacional em Defesa da Saúde, da Medicina e do Médico reúne representantes de todo o país

frentenacional

 

Ontem, dia 16, na sede da Associação Médica Brasileira (AMB), em São Paulo, representantes de associações, sindicatos, federadas e grupos estudantis de todas as regiões do Brasil, deram início oficial ao movimento Frente Nacional em Defesa da Saúde, da Medicina e do Médico, grupo que tem como objetivo fortalecer e unir as instituições médicas em prol dos pacientes e dos profissionais da saúde.

O presidente da AMB, Dr. Florentino Cardoso, disse que as entidades presentes não compactuavam com a divisão da classe médica, assim como também reforçou que o caminho para que os médicos tenham mais força é se unindo às instituições já existentes e lutando contra ao aparelhamento das entidades existentes e à criação de entidades-espelho, cujo objetivo é enfraquecer e dividir a classe médica. “A AMB e outras entidades são as casas do médico brasileiro. As pessoas que hoje as dirigem passam, mas as entidades ficam, porque elas são de todos nós e é nelas que temos que fazer as mudanças necessárias para a saúde do Brasil”.

De acordo com o presidente da Federação Nacional dos Médicos (FENAM), Dr. Geraldo Ferreira, que junto com a AMB organizou o movimento, a frente vai lutar pela união da categoria médica, para defender e fortalecer a democracia, colocar-se intransigentemente nas lutas em defesa da dignidade, da remuneração e das condições de trabalho da classe. “Há uma orientação do Governo Federal, via CUT, para dividir qualquer categoria ou entidade em que o governo não é maioria”, se referindo à criação de uma nova federação.

Além de contar com o apoio das principais entidades, sindicatos, associações estaduais e grupos estudantis do Brasil, a Frente Nacional também tem adesão de instituições internacionais. “Diante de qualquer movimento que vise defender o médico, a medicina e a saúde, independente do país, vamos apoiar”, declarou o coordenador do Comitê de Assuntos Médicos Sociais, da Associação Médica Mundial (World Medical Association – WMA), Dr. Miguel Roberto Jorge.

Durante o evento, diversos representantes de instituições médicas contribuíram com sugestões ou com ideias que já vem sendo implementadas no seu estado para a defesa da classe médica e dos pacientes. Um dos principais motes levantado pelos participantes é de que assim como outras categorias de trabalhadores, como advogados e engenheiros, por exemplo, os médicos não podem ter vergonha de expor sua opinião política e que isso deve iniciar desde as faculdades. “Os médicos e pacientes do Brasil podem contar com o nosso apoio e se precisar vamos percorrer as 252 escolas de medicina do Brasil. Pois, vamos lutar contra um governo que está muito mais preocupado com o voto do que a saúde”, afirmou o presidente da Associação dos Estudantes de Medicina (AEMED-BR), Vinícius de Souza.


Próximos passos

O próximo encontro da Frente Nacional em Defesa da Saúde, da Medicina e do Médico já tem data e local marcados. Acontece no dia 21 de agosto, em Fortaleza e vai reunir membros das diretorias da AMB e FENAM para a criação de comissões que visem, por exemplo, a participação de representantes médicos nas eleições de 2016, que tenham como plataforma melhorias na saúde dos seus municípios.