Alto contraste

Notícias

Presidente da AMB coordena debate sobre Saúde Suplementar no ENEM 2023

Imagem do WhatsApp de 2023 06 30 as 14.26.44 2

O presidente da Associação Médica Brasileira (AMB), César Eduardo Fernandes, coordenou o debate do último painel do XIV Encontro Nacional das Entidades Médicas (ENEM) sobre remuneração médica no setor de saúde suplementar. O evento encerra-se nesta sexta-feira com a aprovação pela plenária de propostas e moções pelos cerca de 300 delegados participantes. O ponto convergente das três palestras proferidas sobre o tema foi o achatamento dos valores pagos pelas empresas do setor aos médicos ao longo dos anos, abaixo da inflação.

O representante da AMB, o diretor da Associação Paulista de Medicina, o professor universitário Florisval Meinão, afirmou em sua palestra que a categoria sofre precarização da remuneração recebida das operadoras de planos de saúde em virtude de normas atuais desfavoráveis. Ele defendeu a união das entidades médicas – associações, federações, sindicatos e conselhos – para instituição de comissões estaduais mistas para negociar melhores reajustes.

Conforme Meinão, a consulta recebida dos planos de saúde deveria estar entre R$ 140 e R$ 150 se fosse considerada somente a reposição inflacionária desde o Plano Real (1995), o que não reflete o aumento real do custo de outras variáveis médicas. Ele alertou que os valores dos procedimentos médicos estão ainda mais defasados, entre 30% e 40%, em relação às consultas já baixas. “Com a estratégia de centrar as correções nas consultas, as operadoras não reajustam os procedimentos no mesmo patamar”, afirmou.

Imagem do WhatsApp de 2023 06 30 as 15.14.57

Tabela referencial da AMB

Na sua apresentação, o especialista mostrou a resistência das autoridades públicas e das empresas de planos de saúde ao longo do tempo em relação à instituição de uma tabela de valores de remuneração para a categoria. Até que em 2003 a AMB editou tabela referencial de valores – Classificação Brasileira Hierarquizada de Procedimentos Médicos (CBHPM) – que estabelece pontuação dos procedimentos médicos, tomando como referencial a sua complexidade.

Com isso, houve redução do número de entidades médicas multadas pelo Conselho Administrativo de Direito Econômico (CADE). De acordo com Meinão, atualmente o CADE aceita tabelas médicas desde que não existam coerção, valor mínimo e imposição da cobrança, já que a simples recomendação não configura infração à ordem econômica.

Apesar de algumas operadoras, em especial as de autogestão, terem adotado a CBHPM, a maioria, no entanto, continua trabalhando com tabelas próprias, principalmente as seguradoras, afirmou o especialista.

Segundo Meinão, em 2009, houve uma conquista importante para a categoria quando a ANS definiu que a AMB é a entidade responsável por definir codificação e terminologia dos itens da TUSS para procedimentos médicos. “Tornou-se referencial da saúde suplementar e representou avanço significativo. Foi uma recuperação parcial do que foi perdido. Hoje temos algum controle sobre nossos referenciais, os procedimentos voltam a passar pela AMB”, destacou.

Negociações coletivas

Ele disse, no entanto, que não se conseguiu avançar muitos na questão dos honorários. A AMB chegou a integrar uma comissão no âmbito da ANS para que as seguradoras adotassem progressivamente a CBHPM. Mas a discussão está paralisada.

Em 2014, houve a aprovação da Lei nº 13.003, que estabeleceu que os médicos devem ter contrato assinado com as operadoras de planos de saúde – até então não havia essa formalização como regra. Segundo o representante da AMB, o projeto de lei original previa a adoção da tabela CBHPM para pagamento pelas empresas de saúde suplementar, mas a proposta foi desidratada até aprovação final.

A regulamentação da lei pela ANS, informou, foi ainda mais decepcionante. A agência reguladora não aceitou negociações coletivas, para que as entidades médicas pudessem negociar com os planos de saúde, e determinou que aquelas ocorram de forma individual, do médico com as grandes operadoras. “É discrepante a diferença de força do médico negociando sozinho com o setor”, criticou.

Meinão reforçou que a lei é importante, mas que a regulamentação da ANS colocou os médicos em situação difícil, pois obriga a negociação individual direta e não tem índice de inflação de reposição. “Tivemos perdas expressivas. As empresas não reajustam os honorários médicos de acordo com os índices inflacionários. Perdemos poder aquisitivo ao longo dos anos e não conseguimos repor a inflação do período”, disse.

Para o especialista, as negociações dos reajustes devem ser por meio de comissões instituídas por todas as entidades médicas. “Melhor alternativa é a união das entidades, no molde do que já ocorre em Pernambuco e em São Paulo, mas em todo o país. É necessário todo o conjunto de entidades federadas, sindicatos e conselhos estimulando a instituição de comissões estaduais, para aumentar nossa força e margem de negociação para tentar de alguma forma repor algumas perdas do passado”, encerrou.