Associação Médica do Espírito Santo

Inaceitável mau gosto

Julgar uma categoria profissional pelas más práticas, pela falta de ética e até mesmo por atitudes criminosas de uma minoria é mais do que lastimável, é inaceitável.  Quando esse inequívoco julgamento vem por meio de uma charge, soma-se à lista do inaceitável o extremo mau gosto.

As entidades médicas, assim como o Jornal A Gazeta, repudiam toda e qualquer falta de ética, de profissionalismo e, principalmente, atitudes criminosas em todos os níveis. O Conselho Regional de Medicina do Espírito Santo (CRM-ES) atua na fiscalização do bom e ético exercício da medicina, julgando e punindo, de acordo com a legislação que lhe compete, as más práticas profissionais.

Junto com o Sindicato dos Médicos e Associação Médica do Espírito Santo, o CRM-ES defende a boa prática profissional e isso implica, inclusive, em repudiar veementemente o conceito explicitado, ontem, no jornal A Gazeta por meio da charge intitulada “A máfia dos médicos”.

É importante deixar claro que nós, entidades médicas, respeitamos e defendemos a liberdade de imprensa. Mas não podemos nos calar quando nos deparamos com opiniões generalizadas colocando em um mesmo “pacote” toda a categoria profissional.

Existem bons e maus profissionais em todas as categorias, mas nem por isso podemos ou devemos generalizar e classificar todos como maus, ruins, péssimos ou até mesmo criminosos.  No que diz respeito à chamada máfia das órteses e próteses, denunciada na mídia nacional, o Conselho Federal de Medicina, em nome de toda a classe médica, propôs às autoridades competentes a criação de mecanismos para regular a comercialização de órteses, próteses e materiais especiais.

Reiteramos total apoio às investigações para coibir práticas condenadas pela imensa maioria dos 400 mil médicos brasileiros que, historicamente, tem se posicionado contra a cultura da impunidade – em todos os campos da vida em sociedade – no nosso país evitando danos aos pacientes e prejuízos econômicos.

Severino Dantas Filho – Presidente do CRM-ES

Carlos Alberto Gomes dos Santos – Presidente da Ames

Otto Baptista – Presidente do Simes e vice-presidente da Fenam

Vinícius Coach – Presidente da Associação dos Estudantes de Medicina do ES

Alexandre Ruschi – Presidente da Federação das Unimeds do Estado do Espírito Santo

Inaceitável mau gosto

Julgar uma categoria profissional pelas más práticas, pela falta de ética e até mesmo por atitudes criminosas de uma minoria é mais do que lastimável, é inaceitável.  Quando esse inequívoco julgamento vem por meio de uma charge, soma-se à lista do inaceitável o extremo mau gosto.

As entidades médicas, assim como o Jornal A Gazeta, repudiam toda e qualquer falta de ética, de profissionalismo e, principalmente, atitudes criminosas em todos os níveis. O Conselho Regional de Medicina do Espírito Santo (CRM-ES) atua na fiscalização do bom e ético exercício da medicina, julgando e punindo, de acordo com a legislação que lhe compete, as más práticas profissionais.

Junto com o Sindicato dos Médicos e Associação Médica do Espírito Santo, o CRM-ES defende a boa prática profissional e isso implica, inclusive, em repudiar veementemente o conceito explicitado, ontem, no jornal A Gazeta por meio da charge intitulada “A máfia dos médicos”.

É importante deixar claro que nós, entidades médicas, respeitamos e defendemos a liberdade de imprensa. Mas não podemos nos calar quando nos deparamos com opiniões generalizadas colocando em um mesmo “pacote” toda a categoria profissional.

Existem bons e maus profissionais em todas as categorias, mas nem por isso podemos ou devemos generalizar e classificar todos como maus, ruins, péssimos ou até mesmo criminosos.  No que diz respeito à chamada máfia das órteses e próteses, denunciada na mídia nacional, o Conselho Federal de Medicina, em nome de toda a classe médica, propôs às autoridades competentes a criação de mecanismos para regular a comercialização de órteses, próteses e materiais especiais.

Reiteramos total apoio às investigações para coibir práticas condenadas pela imensa maioria dos 400 mil médicos brasileiros que, historicamente, tem se posicionado contra a cultura da impunidade – em todos os campos da vida em sociedade – no nosso país evitando danos aos pacientes e prejuízos econômicos.

Severino Dantas Filho – Presidente do CRM-ES

Carlos Alberto Gomes dos Santos – Presidente da Ames

Otto Baptista – Presidente do Simes e vice-presidente da Fenam

Vinícius Coach – Presidente da Associação dos Estudantes de Medicina do ES

Alexandre Ruschi – Presidente da Federação das Unimeds do Estado do Espírito Santo

Associação Bahiana de Medicina

ABM discute PEC 454 com Senador Pinheiro

O Presidente da Associação Bahiana de Medicina, Dr. Robson Moura, e o vice-presidente, Dr. José Marcio Vilaça, estiveram reunidos, no dia 26 de dezembro de 2014, na sede do Cremeb, com o senador Walter Pinheiro, além de representantes do Cremeb e Sindimed.  O encontro foi resultado de solicitações das entidades médicas baianas e intermediado pela diretora da ABM, Dra. Clarissa Mathias. O objetivo foi discutir a PEC 454, que define a carreira de Estado dos Médicos, para que ela seja aprovada no Congresso Nacional ainda este ano.

Na ocasião, o Senador Walter Pinheiro comprometeu-se a defender a PEC 454 e assegurou que agendará um encontro com o Presidente do Senado, Renan Calheiros. A PEC inclui carreira de Estado Federal, dedicação exclusiva com remuneração oriunda de fontes federais e carreira pelo SUS. “É intenção da ABM, Cremeb e Sindimed continuar essa discussão também com outros parlamentares, tratando o tema como uma questão suprapartidária”, afirmou Dr. Robson Moura.

Participaram também do encontro o Presidente do Cremeb, Dr. Abelardo Garcia de Meneses, a vice-Presidente, Dra. Teresa Maltez, o primeiro secretário, Dr. Jorge Cerqueira, o conselheiro, Dr. José Augusto, o Presidente do Sindimed, Dr. Francisco Magalhães, os representantes da Bahia no CFM, Dr. Jecé Brandão e Dr. Otávio Marambaia.

SBMN – Curso para Profissionais Operadores de PET/CT será dia 31

A segunda edição do Curso para Profissionais Operadores de PET/CT irá inaugurar as atividades da Sociedade Brasileira de Medicina Nuclear em 2015. Direcionado para biomédicos, biólogos, técnicos e tecnólogos operadores de PET/CT, o curso será realizado no Hotel Grand Plaza, em São Paulo, no dia 31 de janeiro, entre 8h e 17h.

De acordo com Solange Amorim Nogueira, coordenadora do curso e do Departamento de Biomédicos e Tecnólogos da SBMN, em pouco mais de cinco anos, o número de equipamentos de PET/CT instalados no Brasil saltou de cinco para 100 equipamentos. “Essa tecnologia está presente em todas as regiões do País. Com isso, faz-se necessário orientar os profissionais que operam esses equipamentos quanto aos conceitos físicos e tecnológicos relacionados à formação da imagem, proteção radiológica e biodistribuição do FDG-18F, principal radiofármaco utilizado no Brasil”, ressaltou.

Nesse contexto, seguindo os modelos dos cursos anteriores voltados à divulgação da RDC 38, a SBMN organizou um curso de curta duração que pudesse levar esses conceitos básicos aos profissionais envolvidos na operação dos equipamentos de PET/CT. “No primeiro evento realizado em outubro de 2014, os participantes avaliaram o conteúdo, sua aplicação às atividades diárias e a contribuição para o crescimento profissional como 70% excelente e 30% bom. Esses resultados nos motivaram a continuar com o curso em 2015”, avaliou Solange.

O curso do dia 31 de janeiro terá como principais temas: proteção radiológica no PET/CT e normas CNEN 3.05 e Anvisa RDC 38, uso do CT no PET – cuidados com a administração de contraste, processamento da imagem de PET e artefatos relacionados ao processamento, e aplicações clínicas atuais e futuras.

Confira a programação e inscreva-se: http://ow.ly/HGzHE

COMUNICADO À POPULAÇÃO BRASILEIRA

esse

 

 

 

 

 

 

 

 

A AMB – Associação Médica Brasileira, representando as sociedades de especialidades médicas, com base nas informações apresentadas pela mídia, contendo denúncias graves sobre atitudes antiéticas e criminosas na indicação e utilização de materiais em procedimentos médicos, vem a público informar:

Repudiamos que fatos dessa natureza ocorram em nosso meio e consideramos que tais denúncias devam ser investigadas pelos órgãos competentes com a punição dos culpados dentro do rigor da Lei.

A Classe Médica Brasileira, na sua grande maioria, é constituída por profissionais bem formados, supervisionados e treinados pelas Sociedades Médicas de Especialidades, os quais conduzem suas atividades pautadas nos mais rigorosos critérios técnico e ético e fundamentadas nas normas de cada Sociedade.

Os médicos brasileiros orientam seu trabalho com base em condutas reconhecidas internacionalmente e contrárias às apresentadas nas reportagens.

As atitudes ilícitas de alguns não podem colocar em descrédito a Classe Médica, cuja atuação prioriza a saúde e a segurança do paciente, fundamentais para o sucesso no tratamento. Temos convicção de que imprensa e sociedade brasileira saberão fazer essa distinção.

A AMB está convocando uma força-tarefa com as entidades públicas e privadas envolvidas neste tema, no sentido de criar e aperfeiçoar mecanismos para coibir de forma rigorosa tais práticas, e continuará trabalhando para proporcionar formação técnica e ética aos médicos brasileiros.

 

Florentino Cardoso

Presidente da Associação Médica Brasileira

Também são signatárias deste posicionamento as seguintes entidades médicas:

Academia Brasileira de Neurologia
Associação Brasileira de Alergia e Imunologia
Associação Brasileira de Cirurgia Pediátrica
Associação Brasileira de Medicina de Tráfego
Associação Brasileira de Medicina Física e Reabilitação
Associação de Medicina Intensiva Brasileira
Colégio Brasileiro de Radiologia e Diagnóstico por Imagem
Conselho Brasileiro de Oftalmologia
Federação Brasileira de Gastroenterologia
Sociedade Brasileira de Angiologia e Cirurgia Vascular
Sociedade Brasileira de Cardiologia
Sociedade Brasileira de Cancerologia
Sociedade Brasileira de Cirurgia Cardiovascular
Sociedade Brasileira de Cirurgia da Mão
Sociedade Brasileira de Cirurgia Plástica
Sociedade Brasileira de Citopatologia
Sociedade Brasileira de Endocrinologia e Metabologia
Sociedade Brasileira de Geriatria e Gerontologia
Sociedade Brasileira de Hansenologia
Sociedade Brasileira de Hemodinâmica e Cardiologia Intervencionista
Sociedade Brasileira de Hepatologia
Sociedade Brasileira de Infectologia
Sociedade Brasileira de Mastologia
Sociedade Brasileira de Medicina Nuclear
Sociedade Brasileira de Nefrologia
Sociedade Brasileira de Neurofisiologia Clínica
Sociedade Brasileira de Neurocirurgia
Sociedade Brasileira de Ortopedia e Traumatologia
Sociedade Brasileira de Patologia
Sociedade Brasileira de Pediatria
Sociedade Brasileira de Pneumologia e Tisiologia
Sociedade Brasileira de Radioterapia
Sociedade Brasileira de Urologia

Carta de Aracajú (FEBRASGO) aos obstetras do Brasil

A FEBRASGO constituída pelas associações federadas, reunida em Aracajú – Sergipe para tratar da Assistência Obstétrica no Brasil, considerando que:

  • no atual panorama são encontrados muitos problemas e conflitos, tanto no sistema privado quanto público, sem que as autoridades ofereçam soluções;
  • a especialidade obstétrica, além de vivenciar todos os problemas médicos nacionais, possui ainda questões específicas, tais como alta incidência de processos éticos e jurídicos, baixa remuneração aplicada pelos planos de saúde, desvalorização da especialidade, dificuldade de montar equipes de plantonistas nas maternidades e dificuldade da definição de papéis específicos dos profissionais de saúde na assistência ao parto, o que ocasiona conflitos;
  • a saúde suplementar atende 25% da população brasileira e a Agência Nacional de Saúde (ANS) não regula a relação entre os prestadores de serviços (médicos)e as operadoras;
  • as entidades que regulamentam a Saúde Suplementar (ANS, CADE, ANVISA, SDE e outras) não têm manifestado interesse em ajudar ou mesmo mediar as relações entre os prestadores de serviços de saúde e as operadoras;
  • a ANS e o Ministério Público iniciaram intervenções para redução de cesarianas no Brasil, sem focar a organização de equipes e obrigatoriedade de plantonistas nas maternidades;
  • os obstetras estão sendo apontados como culpados exclusivos da violência obstétrica;
  • a obstetrícia tornou-se excessivamente intervencionista e há necessidade de se discutir posturas e protocolos para organizar e melhorar a assistência obstétrica no Brasil;

decidiu realizar o I Fórum de Assistência Obstétrica, no dia 21 de novembro de 2014, coordenado pela Dra. Maria Inês de Miranda Lima, presidente da SOGIMIG.

O evento atingiu seus objetivos com grande frequência, participação das associações federadas, diretoria da Febrasgo e representante do Conselho Federal de Medicina.

O programa do fórum foi dividido em duas partes. O primeiro abordou o panorama da assistência obstétrica no Brasil, no sistema público e na rede suplementar com suas particularidades, as ações do Ministério Público e da ANS. A segunda discussão foi sobre a violência obstétrica, as evidências científicas de boas práticas e as ações das entidades para orientação e proteção dos associados.

Nesse I Fórum de Assistência Obstétrica da Febrasgo os participantes solicitaram que fosse realizada a divulgação das recomendações aprovadas em âmbito nacional, para que se possa avançar na organização da assistência obstétrica e nos conceitos das boas práticas, com o objetivo principal de redução da morbiletalidade materna e perinatal e do número de processos éticos e jurídicos, além da necessidade de se criar indicadores que meçam os desfechos perinatais e se resgatar a dignidade dos profissionais que prestam cuidados de saúde às mulheres brasileiras.

As seguintes recomendações foram aprovadas:

1- que a Febrasgo constituirá um grupo permanente de estudo, com representantes de todas as regiões do Brasil, para elaborar orientações de “Boas práticas em Obstetrícia” para contribuir na organização e orientações ao atendimento obstétrico;

2- que o modelo de assistência obstétrica aprovado deve ser o multiprofissional com a coordenação do obstetra, por ser o profissional apto a resolver as distócias e realizar as intervenções cirúrgicas;

3- que a respeito da disponibilidade do atendimento obstétrico na assistência ao parto, a relação entre o médico e a cliente que o escolheu é autônoma, o que permite a livre contratação do seu trabalho sem a interferência dos planos de saúde;

4- que, por ter o obstetra uma relação de trabalho distinta das outras especialidades, os planos de saúde devem deixar muito claro para as pacientes a GARANTIA DO PARTO COM O MÉDICO DE PLANTÃO porque o médico conveniado NÃO tem obrigação de prestar atendimento fora do seu horário de trabalho no consultório ou plantão;

5- que a Febrasgo proporá ao CFM uma nova discussão a respeito da disponibilidade obstétrica no sentido de esclarecer o real significado de disponibilidade em relação ao procedimento – parto normal ou cesariana, como aspectos distintos da assistência; enquanto isto não acontece o Fórum recomenda aos obstetras seguirem a orientação do Conselho Federal de Medicina de não fazer dupla cobrança. Em casos de cobrança de disponibilidade, cobrar apenas da paciente.

6- que a presença de equipe completa na maternidade evita vulnerabilidade da paciente e do médico que se propõe à disponibilidade;

7- que as boas práticas orientadas pela Organização Mundial de Saúde e pelo Ministério da Saúde: para o parto espontâneo oferecer a posição mais confortável, líquidos e métodos não farmacológicos e farmacológicos para alívio da dor, não indicação sistemática de venóclise, enema e tricotomia, devem ser o foco primário da assistência e as intervenções devem ser avaliadas na busca dos melhores resultados maternos e perinatais;

8- que conforme o que reza as boas práticas assistenciais a Febrasgo atue junto às operadoras para que as maternidades tenham plantão com equipes completas, obstetra, pediatra, anestesista e enfermagem presencial.

9- que a Febrasgo elaborará cartilha de boas práticas em obstetrícia no conceito do PARTO SEGURO, e, juntamente com as associações federadas, divulgará a importância da especialidade, o respeito ao direito de escolha da paciente com foco na segurança e esclarecendo eventuais excessos como o romanceamento que se faz do parto natural domiciliar;

10- que a Febrasgo sugerirá às academias a elaboração de pesquisas referentes ao modelo de assistência ao parto no Brasil, organização do atendimento e criação de indicadores para resultados perinatais.

11- que os obstetras entendam ser o plano de parto o reflexo do desejo da paciente e, por isso, deve ser discutido durante o pré-natal com os esclarecimentos sobre eventuais necessidades de intervenções face a riscos e que mudanças podem ser necessárias;

12- que o termo violência obstétrica não se refere exclusivamente ao médico e seria melhor designada como violência no parto, já que envolve as más condições do local do atendimento assim como todos os atores que participam do processo – médicos, enfermeiros, técnicos de enfermagem, doulas. O Fórum repudia os profissionais que a praticam, bem como a inadequação de muitas maternidades;

13- que o obstetra atente para o fato de quando uma cesariana for realizada a pedido da paciente, essa indicação deve constar no prontuário e ser assinado, pela parturiente, o termo de consentimento livre e esclarecido.

Em vista das consultas públicas da ANS, vigentes na época, os membros do Fórum as discutiu e a FEBRASGO emitiu posição contrária à divulgação dos índices de cesariana aos pacientes pelas operadoras de saúde e foi favorável à necessidade do cartão de pré-natal e o registro do acompanhamento do trabalho de parto.

A Febrasgo, todas as Federadas e o Fórum têm plena consciência do seu papel na defesa do obstetra e que devem manter as ações e elaborar outras necessárias, especialmente em relação à assistência ao parto. Por mais justas que sejam nossas reivindicações devemos nos tornar os protagonistas da nossa própria história.

Maria Inês de Miranda Lima
Coordenadora do I Fórum de Assistência

Etelvino de Souza Trindade
Presidente da Febrasgo

Câmara aprova salário de 10 mil para médicos da rede municipal

Mudança, que atinge 6,5 mil médicos, vale para aqueles que fazem jornada de 40h/semana em postos, prontos-socorros e hospitais.

Após aprovarem uma reforma na carreira do funcionalismo, criando piso de R$ 6.200 para servidores graduados a partir de 2016, os vereadores paulistanos aprovaram no início da noite desta quarta-feira, 17, também em segunda e definitiva votação, projeto de lei que aumenta o salário inicial dos médicos da rede municipal de R$ 7.066 para R$ 10 mil. O reajuste nos vencimentos desses profissionais vai ocorrer por meio de um bônus de cerca de R$ 3 mil.

Com a votação, o prefeito Fernando Haddad (PT) consegue cumprir sua promessa de igualar o salários dos médicos da rede municipal ao dos brasileiros contratados pela Prefeitura no programa Mais Médicos, via governo federal. O salário vale para profissionais lotados em postos de saúde, prontos-socorros e hospitais que cumprem jornada de 40 horas semanais.

O governo informou que 6.551 médicos vão ter os salários reajustados a partir de 2015. Com a reforma aprovada para o funcionalismo, o vencimento inicial de um médico da rede municipal vai ser de R$ 12 mil em 2016, de acordo com a gestão Haddad.

 

Fonte: Jornal O Estado de S. Paulo

Nota oficial da Academia Brasileira de Neurologia sobre o uso do Canabidiol em Epilepsia

A Academia Brasileira de Neurologia –  ABN através de seu departamento científico – DC de Epilepsia e a LIGA BRASILEIRA DE EPILEPSIA – LBE, respaldada pela Liga Internacional contra Epilepsia – ILAE, posiciona-se quanto ao uso do canabidiol (CBD) em epilepsias de difícil controle.

O CBD é o principal componente não psicoativo da cannabis, com reconhecido efeito antiepiléptico porém com mecanismo de ação, segurança a longo prazo, propriedades farmacocinéticas e interações com outros fármacos, ainda obscuros. As pesquisas clínicas bem conduzidas metodologicamente são limitadas, pois há restrição legal ao uso de medicamentos derivados do cannabis, embora o CBD não possua propriedades psicoativas.

Dr. Orrin Devinsky, médico da New York University School of Medicine foi autorizado pelo FDA a conduzir um estudo aberto com um produto contendo 98% de CBD cujo nome comercial é Epidiolex fabricado pela GW Pharmaceuticals. Neste estudo, Dr. Devinsky administrou inicialmente uma dose de 5 mg/kg/dia associado aos medicamentos que o paciente já utilizava. A dose diária foi gradualmente aumentada até o máximo de 25 mg/kg/dia. Os resultados dos primeiros 23 pacientes, cuja média de idade foi de 10 anos, demonstraram que 39% dos pacientes tiveram redução de 50% de suas crises. Apenas 3 dos 9 pacientes com síndrome de Dravet (um tipo de epilepsia muito grave da infância) obtiveram controle total das crises e 1 dos 14 pacientes com outras formas de epilepsia. Os efeitos colaterais mais comuns foram sonolência, fadiga, perda ou ganho de peso, diarreia e aumento ou redução do apetite. Todos os pacientes recebiam mais de um fármaco antiepiléptico. Os resultados preliminares mostraram uma redução de 50% de crises em cerca de 40% dos pacientes. Tal resultado não difere dos resultados disponíveis na literatura dos mais de 20 fármacos antiepilépticos disponíveis no mercado.

As populações expostas ao CBD são compostas por pacientes com síndromes epilépticas heterogêneas que não responderam a qualquer outro fármaco, ou tiveram sérios efeitos colaterais com os medicamentos disponíveis no mercado. Neste cenário, um composto que tenha qualquer efeito benéfico torna-se potencialmente útil.

Os dados científicos até agora disponíveis permitem concluir que o canabidiol não tem o efeito milagroso para todas as formas de epilepsia como evocado pelos leigos em relação a qualquer outro fármaco disponível no mercado, mas poderá desempenhar um papel importante no tratamento de epilepsias muito difíceis, em casos específicos, ainda não definidos cientificamente.

Enfatizamos que o canabidiol terá aplicabilidade dentro do cenário das epilepsias intratáveis, de dificílimo controle, possivelmente com excelente resposta em alguns casos, razoável resposta em outros e nenhuma resposta em alguns, como observado com o uso de outros fármacos. Um dos exemplos similares é a vigabatrina, fármaco antiepiléptico com excelente resposta terapêutica para síndrome de West por esclerose tuberosa.

A ABN e LBE solidariza-se com as famílias das crianças e adultos com epilepsia refratária, resistente aos fármacos antiepilépticos, compartilha e reconhece a realidade de que em muitos casos o médico assistente não possui opção terapêutica a oferecer, mas acredita que a segurança e eficácia do CBD necessitam ser melhor estabelecidas por estudos bem conduzidos, uma vez que os dados disponíveis na literatura atual não preenchem os critérios científicos exigidos para que tal composto seja utilizado como medicamento de forma indiscriminada. Ressalta também que o uso recreativo de cannabis para epilepsia é completamente contra-indicado.

Preconceito no SUS ou represália aos médicos?

Há poucos dias foi veiculada uma campanha do Governo Federal informando que existem posturas preconceituosas no Sistema Único de Saúde (SUS). A campanha foi trabalhada com vídeos na TV aberta e com postagens nas mídias da internet. Afirma-se que ocorrem preconceitos raciais no SUS embora, de forma oportunista e hipócrita, não se tenha dado “o nome aos bois”. Quem seriam os agentes desses supostos atos preconceituosos? A referida campanha é repleta de equívocos e precisei escrever sobre ela por dois motivos: o primeiro é para deixar as coisas mais claras para aqueles que não sabem e não convivem com a entristecida e lamentável realidade do SUS. Já o segundo será uma luta por justiça sendo justo comigo e com os meus colegas médicos.

O SUS, atualmente, sucumbe e lateja de dor. Os seus diversos equipamentos de saúde e procedimentos não conseguem atender à população que, majoritariamente, é sofrida e necessita desta assistência. Os investimentos destinados a ele são deficitários e os desvios corruptos do pouco que lhe é destinado é uma regra recorrente. A estrutura dos serviços de saúde está sucateada e os salários dos profissionais de saúde são, muitas vezes, inaceitáveis e vergonhosos. Não há estímulo àqueles que se destinam a trabalhar neste sistema. Não há planos de carreira e, via de regra, também não há respeito para quem trabalha, arduamente, no SUS.

A realidade é simples e salta aos olhos de todos e, para isto, basta você ir, neste exato momento, a alguma emergência ou a outra unidade de saúde que presta assistência pelo SUS. Isto é público e notório. Isto acontece de forma escancarada basta não se fazer de cego. O SUS não é o problema, mas se torna um problema a partir do momento que os agentes políticos fazem lambanças na sua gestão. Por exemplo, ao invés de discutir e resolver estes pontos que citei, levanta-se uma campanha que deixa, praticamente, explícito que os profissionais de saúde do SUS, sobretudo os médicos, atuam com posturas preconceituosas. Respeite-me! Respeite-nos! O que os senhores do Governo Federal pensam que estão fazendo? Aonde os senhores querem chegar? Não só os médicos, mas a esmagadora maioria dos profissionais de saúde que trabalham no SUS o faz com louvor. Todos trabalham e faz a diferença mesmo sem um salário justo, sem uma estrutura de trabalho adequada e sem a devida valorização. Já está claro que os vilões do Sistema Único de Saúde são outros – VOCÊS. Isto mesmo a engrenagem não roda e não funciona por causa de outros protagonistas e não por causa de nós, médicos e outros profissionais de saúde. Pelo contrário, se não fosse o nosso envolvimento com a causa da saúde pública, certamente, o caos já estaria instituído. Somos nós os guerreiros infantes que protegem a saúde deste povo pobre e dessa população que está desassistida em face dos desatinos políticos de vocês.

Portanto, há uma inversão de perspectiva numa tentativa de dizer que a culpa está em outros – possivelmente, os médicos. Isto é covarde e projetivo. Atendemos a todos independente de raça, credo, cor ou ideologia política. Criem vergonha nas suas caras e aponte o dedo para si. Façam uma autocrítica e parem de tentar jogar o povo contra nós. Inclusive, ressalto que não conseguirão isto, pois, no fundo, eles sabem quem está ajudando-os no momento da dor. Seria isto uma represália? Seria isto uma resposta pelo posicionamento da classe médica durante a última eleição? Começa agora um confronto onde, os médicos e a medicina, são atacados? Se assim for, resta-me lamentar, pois agir de forma propositada para desqualificar, erroneamente, uma classe é um ato perverso e grave.

Permitam-me salientar outro ponto de destaque: parece que o assessoramento em política social e em dados de saúde do Governo Federal não é um dos mais balizados. Pois, não é admissível construir uma campanha contra o preconceito, que tem como base filosófica o ódio e a não aceitação, alimentando, justamente, o ódio e a não aceitação. Esta campanha gera a seguinte reflexão: “os médicos e os profissionais de saúde atendem melhor os brancos e aqueles de olhos claros”. Francamente, que bizarro e raivoso. Quanta ira destilada em tal construção!

Certamente, os assessores desta campanha, possivelmente, não são atendidos pelo SUS ou nunca visitaram uma unidade pública de saúde lotada. Eles vivem noutro planeta ou não entendem patavina daquilo se propõem a trabalhar. Por fim, outro questionamento que não pode calar: a causa dos piores indicadores de saúde na população pobre é devido ao racismo dos profissionais de saúde ou devido aos graves problemas socioeconômicos vivenciados por esta população desprotegida?

Em meio aos escândalos de corrupção e as dificuldades atuais da nação, criam-se novas bruxas medievais – os médicos. Pois, como neste período histórico, será mais fácil purgar e exorcizar o mal. Basta queimá-los em fogueiras inquisitórias, visto que, esses seres malévolos e preconceituosos não têm salvação e, quem sabe, somente o divino poderá purificá-los.

Dr. Régis Eric Maia Barros
Médico Psiquiatra
Mestre e Doutor em Saúde Mental pela FMRP – USP

Crioablação percutânea guiada por imagem no tratamento de tumores renais

Dr. Marcos Roberto de Menezes

O grande avanço tecnológico dos métodos de imagem, alinhado à busca incessante pela menor invasividade na medicina moderna, tem alavancado de forma expressiva os procedimentos terapêuticos guiados por imagem, acrescentando força, volume e complexidade ao seu escopo de atuação.

A possibilidade da aplicação de modalidades de imagem para guiar de forma precisa procedimentos diagnósticos e terapêuticos minimamente invasivos, utilizando-se de instrumentos miniaturizados, mudou definitivamente o curso da medicina nas últimas quatro décadas. A noção de destruição percutânea do tumor – de forma localizada, com mínima morbidade e mortalidade – vem se tornando aceita como parte do armamentarium moderno do tratamento oncológico, sendo a ablação percutânea guiada por imagem uma opção cada vez mais aceita para casos selecionados de pacientes com tumor renal.

A descoberta de um número cada vez maior de tumores incidentais pequenos e confinados ao parênquima renal, tem estimulado o desenvolvimento de terapias menos agressivas, capazes de preservar o maior volume possível de tecido renal viável.

Recentes avanços no conhecimento da biologia do CCR, bem como no seu tratamento cirúrgico, tem viabilizado tais abordagens em tumores renais pequenos, representadas pela nefrectomia parcial aberta ou laparoscópica (cirurgias poupadoras de néfrons).

Para tumores com menos de 4,0 cm, os resultados das nefrectomias parciais são tão efetivos quanto os obtidos pela cirurgia radical, em termos de recorrência local. A ablação percutânea é a extensão natural dessa abordagem terapêutica; parênquima renal e função são preservados, e o tumor pode ser tratado com sucesso. Em relação às técnicas cirúrgicas minimamente invasivas, a ablação percutânea é a menos invasiva, com menos complicações e mais rápida convalescença. A ablação percutânea pode ser repetida quando não completamente bem sucedida ou repetida várias vezes nos pacientes com câncer renal associado a doenças sindrômicas que desenvolvem múltiplos tumores ao longo sua vida (Von Hippel-Lindau, Esclerose Tuberosa ou CCR papilares hereditários). Finalmente, a ablação percutânea é a única opção de tratamento local em pacientes que não são candidatos à cirurgia:

  • Pacientes com rim único, cujo comprometimento funcional requer a máxima preservação de tecido viável;
  • Pacientes com comorbidades clínicas que inviabilizem o procedimento cirúrgico;
  • Pacientes com predisposição ao desenvolvimento de múltiplos tumores renais;
  • Pacientes com restrições psicológicas a cirurgias invasivas;
  • Pacientes que se recusam a receber o tratamento cirúrgico convencional.

A incidência desta neoplasia vem crescendo em todo mundo, um fenômeno fortemente associado ao aumento do seu diagnóstico incidental pelos diferentes métodos de imagem. Outro fator importante seria o aumento da exposição a agentes carcinógenos diversos, principalmente os de maior concentração nas sociedades industriais urbanas. Dessa forma, um grande número de neoplasias renais tem sido diagnosticado nas últimas duas décadas, a maioria composta por lesões pequenas (menores que 4 cm), de achado fortuito em exames de rotina, muitas vezes não relacionados a queixas do trato geniturinário (60% delas são descobertas de forma incidental).

No Brasil, embora não sejam disponíveis dados tão atuais, estima-se atualmente uma incidência aproximada de sete a dez casos por 100.000 habitantes/ano, segundo estatísticas do Instituto Nacional do Câncer.

As terapias ablativas como a radiofrequência e a crioablação são modalidades de tratamento minimamente invasivo mais empregadas e estudadas no tratamento de tumores localizados no rim.  Têm sido amplamente utilizadas no tratamento dos tumores renais na última década, sobretudo em pacientes sem condição cirúrgica em Estádio I.

Apresentam como vantagem principal a menor invasividade, possibilitando destruição tumoral sem a necessidade de cirurgias ou incisões. Impactam, portanto, em uma redução significativa da morbidade terapêutica, do tempo de internação e dos custos.

Crioablação

A crioablação consiste na aplicação de sucessivos ciclos de congelamento e descongelamento dos tecidos neoplásicos a partir de crioprobes (agulhas) inseridos no interior dos tumores sob orientação radiológica, atingindo temperaturas mínimas de até -40°C, promovendo a destruição tecidual a partir da ruptura de membranas celulares. O mecanismo de congelamento deve-se à propriedade termodinâmica do gás argônio de sofrer acentuada perda de calor durante sua expansão em uma câmara fechada (efeito Joule-Thompson). O descongelamento é obtido a partir da substituição do argônio pelo gás hélio, cujas propriedades termodinâmicas de expansão têm efeito oposto, aquecendo o sistema.

A possibilidade de visualização e monitorização da expansão da bola de gelo pela TC ou RM permite uma otimização do tratamento completo do tumor e menor risco de lesão das estruturas adjacentes. A crioterapia oferece um menor risco de lesão do sistema coletor, dado a relativa resistência do urotélio ao congelamento. Outro ponto positivo desta terapia é seu efeito analgésico intrínseco decorrente da aplicação das baixas temperaturas nos tecidos peri-tumorais, reduzindo de forma efetiva a dor  pós-procedimento.

Apesar da ablação renal por radiofrequência ou crioterapia já estarem descritas a mais de dez anos, séries maiores com seguimento mais longo têm surgido apenas mais recentemente na literatura.

A técnica de ablação renal percutânea tem o potencial de preservação do parênquima renal com menor morbidade quando comparada com a cirurgia aberta ou laparoscópica.   Alguns trabalhos com seguimento de cinco anos sugerem que a radiofrequência e a crioablação são tratamentos eficazes e com baixo risco de complicações.

As melhores taxas de sucesso são obtidas no tratamento de lesões com até 4,0 cm, sobretudo em tumores exofíticos ao parênquima renal. O tamanho do tumor é o fator mais importante para predizer a resposta. Outro aspecto influenciador é a experiência e infraestrutura técnica dos diferentes centros.

A experiência do nosso grupo no Hospital Sírio-Libanês, que iniciou os primeiros procedimentos há sete anos, já conta 150 pacientes tratados.

Com a melhora constante e a difusão da técnica, a crioablação percutânea renal tem se estabelecido como uma alternativa eficaz e menos invasiva para o tratamento de um grupo selecionado de pequenos tumores renais.