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“Brasil precisa rever diretrizes de rastreamento do câncer de mama”, alertam especialistas no CMG 2025

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No fim da tarde desta sexta-feira (25), no 3º Congresso de Medicina Geral da AMB, especialistas discutiram, na mesa -redonda que abordou a Mastologia, os avanços e desafios no combate ao câncer de mama. Dr. Gil Facina, vice-presidente da Academia Brasileira de Mastologia, destacou a importância do diagnóstico precoce e do acesso rápido à mamografia. “Onde há rastreamento efetivo e acesso garantido, a mortalidade cai pela metade”, afirmou.

Abrindo o debate, Dr. Joaquim Teodoro de Araújo Neto, mastologista da Unifesp/IBCC/Hospital Maternidade Escola Cachoeirinha, defendeu a revisão das diretrizes nacionais. Ele criticou a recomendação do Ministério da Saúde de iniciar a mamografia apenas aos 50 anos.

“De 40% a 50% dos casos não seriam detectados se seguíssemos esse protocolo. Nossa população é diferente da americana e europeia”, explicou o mastologista. Ele defendeu o rastreamento personalizado, especialmente para mulheres com mamas densas, com uso precoce de ressonância magnética.

Na sequência, o Dr. Eduardo Carvalho Pessoa, presidente da Sociedade Brasileira de Mastologia – Regional São Paulo (SBM-SP), alertou para o uso criterioso dos métodos invasivos. A biópsia com agulha grossa, segundo ele, é o padrão-ouro, mas envolve maior custo, desconforto e risco. Já a punção com agulha fina pode ser indicada em nódulos pequenos, embora seja menos precisa. Ele também chamou a atenção para o uso indiscriminado do ultrassom em serviços com profissionais pouco capacitados, o que aumenta o risco de erros no diagnóstico.

Contribuindo com a discussão, a Dra. Fabiana Baroni Alves Makdissi abordou o impacto do estilo de vida na prevenção e no controle do câncer de mama. Ela destacou que hábitos saudáveis, como a prática regular de atividade física, reduzem a incidência da doença e melhoram a resposta ao tratamento. “É preciso orientar a população de forma contínua. Estamos falhando com as pacientes, principalmente após o tratamento”, afirmou. O sedentarismo avança principalmente entre mulheres de baixa renda, exigindo ações efetivas de incentivo.

Fechando o debate na mesa, Dr. José Mauro Secco, presidente da Associação Médica Brasileira do Amapá e membro titular da SBM-AP, reforçou o papel do médico como exemplo. “Profissionais que mantêm hábitos saudáveis estimulam mais suas pacientes a fazerem o mesmo. Precisamos ser exemplo”, concluiu.