Zika Vírus: a doença que evoluiu na incompetência de uma saúde preventiva eficiente

Patologia tem sintomas parecidos com os da dengue e febre chikungunya e é transmitida pelo mesmo mosquito, mas é menos grave

aedes

No final do mês de março, uma doença, até então desconhecida, assustou a população de Camaçari, na Bahia. Dezenas de pessoas, com sintomas parecidos com os da dengue, procuraram atendimento médico, mas não tiveram um diagnóstico preciso. Exames indicavam que não se tratava de dengue, febre chikungunya, rubéola ou sarampo, mas também não conseguiam apontar com precisão qual patologia era.

Quase um mês se passou e mais casos foram identificados em outros municípios da Bahia, até que os pesquisadores Gúbio Soares e Silvia Sardi, do Instituto de Biologia da Universidade Federal da Bahia (UFBA), conseguiram identificar o responsável pela doença, através de amostras de sangue de pacientes.  Tratava-se do Zika Vírus.

O Zika Vírus, ou Febre Zika, é transmitido pelo Aedes Aegypt, mesmo mosquito que causa o contágio da febre amarela, dengue e febre chikungunya. Os sintomas são semelhantes aos dessas doenças, porém mais brandos: febre por volta dos 38 graus, dor de cabeça, diarreia, náuseas, dor no corpo e nas articulações. Outros sinais de infecção pelo vírus são: erupções cutâneas acompanhadas de coceira intensa, fotofobia e conjuntivite.

O período de incubação vai de 3 a 12 dias após o contágio. O vírus apresenta baixa letalidade e o próprio organismo humano se encarrega de combatê-lo. O tratamento visa unicamente o alívio dos sintomas por meio de analgésicos, anti-inflamatórios, não-esteroides e antitérmicos que não contenham ácido acetilsalicílico. A infecção, em geral, cessa em até 7 dias.

Entre as principais diferenças da febre chikungunya e do Zika Vírus em relação a dengue, é que, na primeira, o paciente apresenta um quadro com mais dores articulares mais intensas. Enquanto na segunda, a tendência é ter mais manchas vermelhas espalhadas pelo corpo. Por sua vez, a dengue é patologia mais perigosa das três.

História e evolução do vírus

O Zika Vírus foi isolado pela primeira vez na década de 1940, por meio de estudos realizados em macacos da floresta de Zika, em Uganda. Em 1964, na Nigéria, foi identificado pela primeira vez em humanos e de lá se espalhou por outras regiões da África e também da Ásia. Em 2007, foi encontrado pela primeira vez fora desses continentes, em um surto da doença na Oceania.

No Brasil, especialistas trabalham com a hipótese de que o vírus tenha chegado ao país em 2014, trazido por turistas que vieram assistir à Copa do Mundo e desde então passou a ser transmitido pelo Aedes Aegypt.

Não existe vacina para a doença e a única forma de preveni-la é acabar com os focos de reprodução do mosquito transmissor, tarefa que ultimamente não tem obtido êxito, visto a epidemia de dengue que assola várias regiões do Brasil.

 

 

Saúde Preventiva?

Segundo o presidente da Sociedade Brasileira de Infectologia e médico infectologista do Hospital São José de Fortaleza, Dr. Érico Arruda, a principal razão para este quadro é devido às falhas que o Brasil comete quando o assunto é prevenção de doenças: “Temos vários fatores para este desfecho, um deles é a maneira desorganizada de enfrentar as doenças infecciosas. Na saúde preventiva do país, sempre se corre para resolver os problemas de grande repercussão, e não se ataca os demais. Vivemos como bombeiros. Nos deslocamos todos para uma ação, e não conseguimos correr para outras”, analisa.

De acordo com o Dr. Arruda, o que também contribui para a pouca efetividade das políticas de prevenção é o financiamento público insuficiente para dar cobertura a essas questões, falta de saneamento básico e pouca adesão que parte da população tem na prevenção de doenças, devido à falta de educação.

Com relação a estudos científicos sobre o Zika, o Dr. Arruda afirma que provavelmente serão intensificados mundialmente, já que “o vírus agora está se espalhando e chegou a um país de tamanho continental, que faz divisa com diversos países da América do Sul, além de ter muitos turistas na Europa e EUA”.

AMMG sedia quinta edição do Fórum CBHPM

Fórum CBHPM corte

Será realizada no dia 22 de maio, na sede da Associação Médica de Minas Gerais (AMMG), em Belo Horizonte, a quinta edição do Fórum Nacional sobre a Classificação Brasileira Hierarquizada de Procedimentos Médicos (CBHPM). Profissionais de medicina de várias regiões do país e representantes de entidades médicas e setores importantes da saúde suplementar e do estado irão expor a situação dos honorários, desafios e os rumos das negociações em prol da classe.

Os participantes debaterão, dentre alguns temas, sobre ‘O Trabalho e remuneração médica na saúde suplementar, pública e o médico assalariado em geral – Visão da Promotoria Pública; ‘Panorama atual e os rumos da saúde suplementar na visão da Associação Médica Brasileira (AMB), Conselho Federal de Medicina (CFM) e Federação Nacional dos Médicos (Fenam); ‘Câmara Técnica Permanente da CBHPM’, ‘Aspectos jurídicos na utilização da CBHPM: contratualização, judicialização e direitos do consumidor’ e ‘CBHPM no Sistema Único de Saúde (SUS): realidade ou utopia’.

Para o diretor Adjunto de Defesa do Exercício Profissional para Assuntos de Remuneração da AMMG, Juraci Gonçalves de Oliveira, não está mais em pauta a discussão da consolidação e a implementação da CBHPM. “A ênfase deste Fórum é trazer a baila a importância da classificação como referencial ético de remuneração médica. Vamos ter exposições que irão tratar da visão jurídica, por parte dos órgãos reguladores, do ministério público e de defesa do consumidor em relação ao tema”, enfatiza o médico.

Outro ponto alto dos debates será a Lei de nº 13.003, de julho de 2014, e que entrou em vigor no final do ano, que fala da obrigatoriedade da existência de contratos escritos entre as operadoras e seus prestadores de serviços.

O encontro é uma promoção da Comissão Estadual de Honorários Médicos de Minas Gerais (CEHM), composta pela Associação Médica de Minas Gerais (AMMG), Conselho Regional de Medicina de Minas Gerais (CRM MG), Federação Nacional das Cooperativas Médicas (Fencom) e Sindicato dos Médicos de Minas Gerais (Sinmed MG). A inscrição é gratuita e pode ser feita pelo e-mail: comissaodehonorarios@ammgmail.org.br ou pelo telefone (31) 32471619. Confira a programação no site: www.ammg.orgbr.

 

V Fórum Nacional sobre CBHPM

Data: 22 de maio

Horário: 8h30 às 17h.

Local: Associação Médica de Minas Gerais (AMMG). Avenida João Pinheiro, 161, Centro. Belo Horizonte/MG

Mais informações: (31) 3247 1619 ou www.ammg.orgbr. Inscrições gratuitas.

Cade acolhe pedidos de embargos feito pela AMB

Conselho anula sentença que condenava entidades médicas a pagarem multa por “tabelamento de preços”

O Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade) anulou nesta terça-feira, 28, a sentença proferida em outubro de 2014, que multava a Associação Médica Brasileira (AMB) e demais entidades médicas por prática de tabelamento de preços de consultas e coação aos médicos contrários a participar de greve contra operadoras de planos de saúde.

A conselheira relatora do processo, Ana Frazão, acolheu o pedido de embargo feito pela AMB e demais entidades, representada presencialmente pelo diretor Jurídico da AMB, Carlos Michaelis Júnior, considerando que houve vício processual e reconhecendo que as entidades tiveram o seu direito de defesa cerceado.

Com a decisão do Cade, as entidades médicas ganham nova possibilidade de apresentar defesa. “Teremos uma real oportunidade de comprovar que o uso da Classificação Brasileira Hierarquizada de Procedimentos Médicos (CBHPM) não pode ser considerado tabelamento de preço, mas sim um importante balizador no setor da saúde, tanto para Saúde Suplementar (Planos de Saúde) quanto para a Saúde Pública (SUS)”, avalia Michaelis.

De acordo com o presidente da AMB, Dr. Florentino Cardoso, a decisão do Cade é representativa para a classe médica. “É uma importante vitória para o médico brasileiro, especialmente nesse momento que alguns tentam desconstruir a medicina brasileira e suas entidades”, comenta.

Nova vacina imuniza crianças a partir de 6 meses contra quatro vírus da gripe

Vacina foi aprovada nos Estados Unidos em 2013 e estará disponível no Brasil primeiro em clínicas particulares; imunizante que há atualmente no mercado protege contra três tipos de vírus
A primeira vacina que imuniza crianças de 6 meses a 3 anos contra os quatro tipos de vírus da gripe acaba de chegar ao Brasil. Lançado nesta terça-feira, 28, o imunizante age contra dois vírus Influenza A e duas cepas B, ampliando a proteção contra a gripe. Atualmente, as vacinas usadas em crianças nessa faixa etária são trivalentes, agindo contra apenas uma das cepas B.
De acordo com a médica Sheila Homsani, diretora da Divisão de Vacinas da Sanofi Pasteur, ampliar a proteção a crianças de até 3 anos contra a gripe é importante até para a proteção dos adultos. Ela explica que, quando a mãe é vacinada, a criança adquire proteção nos primeiros seis meses de vida. Depois, ela fica suscetível a ter gripe e também se transforma num foco potencial de transmissão. “Os pequenos costumam colocar na boca brinquedos que depois podem ser usados por outras crianças. Além disso, eles estão sempre em contato próximo com os pais, irmãos e avós, por isso é importante que estejam imunizados.”
As cepas B constituem de 20% a 25% das cepas de vírus da gripe em circulação e, em alguns períodos, chegam a ser responsáveis por 50% dos casos confirmados de influenza. “Dados de vigilância na Europa, por exemplo, apontam que os vírus influenza B são responsáveis por até 40% dos casos de gripe”, disse a médica.
A vacina quadrivalente foi aprovada nos Estados Unidos em 2013. Inicialmente as doses estarão disponível no Brasil em clínicas privadas e empresas com interesse em imunizar seus funcionários.
Fonte: O Estado de S. Paulo

AMPE promove congresso

A Associação Médica de Pernambuco comunica a realização do 42º Congresso Médico Estadual de Pernambuco, promovido pela entidade, com apoio da AMB e demais entidades médicas pernambucanas. Este evento é tradicional no calendário cientifico pernambucano, e será realizado nos dias 20 e 21 de agosto, no Centro de Convenções do Real Hospital Português de Pernambuco. O tema oficial do evento será “Medicina Hoje”. Mais informações em www.ampe-med.com ou (81) 3423-5473 / 3423-0805

Submissão de trabalhos livres no 49º Congresso de Patologia Clínica/Medicina Laboratorial

Estão abertas as inscrições para resumos de temas livres do 49º Congresso da Sociedade Brasileira de Patologia Clínica/Medicina Laboratorial (SBPC/ML), evento que acontece entre os dias 29 de setembro e 2 de outubro, no Centro de Eventos do Ceará (CEC), em Fortaleza. O prazo para a submissão dos trabalhos científicos é até o dia 20 de maio.

Os profissionais interessados em enviar os seus trabalhos devem preencher um formulário no site do 49º Congresso da SBPC/ML (cbpcml.org.br), na seção Tema Livre. A seleção dos trabalhos será publicada após avaliação da Comissão Analisadora – composta por membros da entidade. Serão escolhidos em torno de 300 a 400 pôsteres para serem exibidos no Congresso. A SBPC/ML incentiva o envio de pôster eletrônico para visualização em telas de LCD localizadas próximas aos pôsteres. Para o trabalho ser selecionado para a apresentação oral é obrigatório o envio do pôster em formato eletrônico.

“Ultimamente, nós temos recebido um grande número de trabalhos que abordam outros aspectos como informática e gestão – que antes não eram habituais. Além dos temas livres clássicos, como bioquímica, hematologia e microbiologia, percebemos um aumento do número de assuntos que trazem um conhecimento diferente e que, seguramente, vão reforçar cada vez mais a importância de participarmos de eventos desse porte”, afirma Dr. Adagmar Andriolo, Coordenador de Temas Livres do Congresso.

Simultaneamente a este evento, acontece o 1º Congresso Brasileiro de Informática Laboratorial, que será realizado ao longo do dia 30 de setembro, com o objetivo de trazer ao público debates e novidades da tecnologia da informação na medicina laboratorial. As inscrições de ambos acontecem separadamente, sendo que o próximo prazo para a inscrição antecipada nos Congressos é dia 2 de junho e o último é até o dia 3 de agosto, com direito ao convite para o evento de confraternização do Congresso, que acontece no dia 1º de outubro.

Vale ressaltar que a inscrição antecipada oferece desconto em relação às inscrições feitas durante ou no próprio dia do evento. Para associados SBPC/ML, a inscrição para o 49º Congresso pode ser gratuita.

Para informações sobre os Congressos, acesse o site: http://www.cbpcml.org.br/2015/.

Para informações sobre o envio de trabalhos científicos, mande e-mail para: temalivre@sbpc.org.br.

Sobre a SBPC/ML

A Sociedade Brasileira de Patologia Clínica/Medicina Laboratorial (SBPC/ML) é uma Sociedade de Especialidade Médica, fundada em 1944 e que atua na área de laboratórios clínicos. Com sede na cidade do Rio de Janeiro, tem como finalidade reunir médicos com Título de Especialista em Patologia Clínica/Medicina Laboratorial e de outras especialidades como farmacêuticos-bioquímicos, biomédicos, biólogos e outros profissionais de laboratórios clínicos, além de empresas do setor.

A SBPC/ML dispõe de projetos de habilitação e qualificação profissional de acordo com a legislação em vigor, através de atividades voltadas para ensino, pesquisa e divulgação científica em Medicina Laboratorial, tendo como meta principal a saúde da população. Para alcançar esses objetivos a SBPC/ML realiza cursos, jornadas, congressos, eventos relacionados e publicações científicas.

Primeira vacina contra malária no mundo tem sucesso parcial em testes clínicos

Ensaios com bebês e crianças de sete países africanos reduziram número de casos em menos de 50%

 

A primeira vacina contra a malária a chegar aos ensaios clínicos finais teve seus resultados revelados por um estudo publicado na revista “The Lancet” nesta sexta, véspera do Dia Mundial da Malária. Os dados não são muito animadores, o medicamento oferece proteção apenas parcial contra a doença que anualmente mata mais de 500 mil crianças com menos de 5 anos no mundo. Mas especialistas acham que mesmo um “sucesso parcial” pode ser considerado um marco no combate à malária.

A vacina vem sendo desenvolvida por 20 anos, a custo que já passa de US$ 500 milhões (R$ 1,5 bilhão). Os resultados das pesquisas desenvolvidas mostram que a vacina funciona melhor em crianças a partir de cinco meses de idade do que em bebês mais novos. Isto é um problema porque, desta forma, a vacinação não poderá ser encaixada junto com a imunização contra a difteria, o tetano e coqueluche. Além disso, a proteção oferecida pela vacina enfraquece com o tempo, o que significa que um reforço posterior será necessário.

Durante os testes, cerca de 16 mil crianças em sete países africanos receberam três doses da vacina mais o reforço. O grupo que recebeu as três doses com idades de cinco a 17 meses apresentou 36% a menos de casos de malária quando tinham 4 anos de idade, em comparação com crianças que não foram imunizadas. No primeiro ano após a vacina, a redução havia sido de 50%. As três injeções não foram o bastante para proteger contra a malária mais grave, mas o reforço resultou em 32% menos casos severos

Entre os bebês com menos de cinco meses que receberam as três doses, verificou-se uma redução de 26% no número de casos nos três anos seguintes, mas essas crianças não ficaram protegidas contra a malária mais grave.

Segundo a equipe à frente da pesquisa, a vacina pode reduzir os casos de malária em cerca de 30% na África. A Agência Europeia de Medicamentos vai analisar os dados e, se forem satisfatórios, a vacina pode ser licenciada. Nesse cenário, a Organização Mundial de Saúde poderia, então, recomendar seu uso em outubro deste ano.

Brian Greenwood, autor do estudo e professor da Escola de Higiene e Medicina Tropical de Londres, disse que estava “um pouco decepcionado” com os resultados dos ensaios clínicos. “Nunca chegaríamos ao sucesso visto em vacinas contra o sarampo, com 97% de eficácia, mas esperava resultados mais animadores”, diz o especialista à frente das vacinações, que aconteceram em Burkina Faso, Gabão, Gana, Quênia, Malaui, Moçambique e Tanzânia.

O pesquisador explica que o parasita da malária tem um ciclo de vida complicado. Em mais de 50 mil anos de existência, ele aprendeu a “iludir” o sistema imunológico.

Atualmente, não há vacina licenciada contra a malária. Cerca de 1.300 crianças morrem por dia na África subsaariana devido à doença. A RTS, S/AS01 é a primeira vacina contra a malária a chegar ensaios avançados e mostrar qualquer sinal de trabalho em crianças pequenas. Os cientistas se dizem satisfeitos por chegar a esta fase no desenvolvimento de uma vacina, mas ainda há um longo caminho a percorrer.

 

Fonte: O Globo

18º Congresso da SOBRICE | SBNR 2015

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São Paulo receberá o 18º Congresso da Sociedade Brasileira de Radiologia Intervencionista e Cirurgia Endovascular e Congresso da Sociedade Brasileira de Neurorradiologia Diagnóstica e Terapêutica – SOBRICE | SBNR 2015 – que ocorrerá de  9 a 11 de julho no Centro de Convenções Rebouças.

Novidades como robótica em intervenções, atualidades em stents absorvíveis, radioembolização para tumores hepáticos, tratamento de malformações vasculares, acesso pela artéria radial para intervenções vasculares e não vasculares, personalização no tratamento combinado de técnicas minimamente invasivas para tumores, além de inovações em correções de aneurismas torácicos e abdominais.

Os workshops ocorrerão em salas satélites sempre visando uma interação entre os apresentadores e público com discussões de casos clínicos e possibilidade de trocas de experiências entre os participantes.

O congresso conta também com os já tradicionais simuladores eletrônicos, onde os congressistas poderão, em ambiente virtual, realizar procedimentos simulando-os como em uma sala de intervenção, podendo inclusive inserir seus casos clínicos e programar a futura intervenção.

Os trabalhos científicos, em forma de pôsteres, também tradicionalmente, estarão presentes, sendo que a comissão julgadora elegerá os três primeiros melhores trabalhos que receberão prêmios.

Informações e inscrições em: www.sobrice2015.com.br

Os erros graves na saúde

O aumento do custo dos planos de saúde – mesmo os empresariais – para os usuários reabre a discussão sobre o papel que os prestadores privados de serviços devem assumir no futuro, no setor da saúde. E também sobre o papel da rede de saúde pública, pois suas notórias deficiências levaram uma grande parcela da população – hoje na casa dos 50 milhões – a procurar refúgio nos planos de saúde nas últimas décadas. Uma opção que vai encarecendo e ficando cada vez mais difícil.

Reportagem do jornal Valor mostra que as dificuldades criadas pela crise econômica já estão levando as empresas a reavaliarem os planos oferecidos a seus empregados, tanto no que se refere à participação destes nos custos de alguns procedimentos como na opção por planos de abrangência regional, mais baratos. Uma conduta que é explicada também pelo fato de esse benefício ter um peso considerável em seus custos, já que é a maior despesa do setor de Recursos Humanos. E uma despesa que dificilmente pode ser cortada, porque se incorporou de tal forma à relação empregador-empregado que faz parte de acordos sindicais.

A participação dos empregados nos custos de consultas e exames, que já existe há algum tempo, está aumentando. De 10% em média hoje, estima-se que ela deve ficar em pouco tempo entre 20% e 30%. Em consultas feitas em pronto-socorro, a contribuição do funcionário já é de 30% em alguns casos. Isso alivia a empresa, porque reduz sua participação e também porque tende a evitar o uso considerado exagerado do benefício, restringindo-o ao indispensável, o que por sua vez leva a operadora do plano de saúde a conceder desconto na renovação do contrato.

A tendência dos planos de saúde empresariais, que representam 65% do total, é de se tornarem cada vez mais caros para os empregados. E essa situação não deve mudar quando passar a crise, pois dificilmente as empresas abrirão mão dessa economia. Quanto aos planos de saúde individuais, há muito tempo que eles se tornaram caros. Finalmente, os elevados custos dos modernos tratamentos e exames médicos também encarecem os planos.

Em resumo, tudo indica que o acesso à saúde privada vai se limitar progressivamente às pessoas de faixas de renda mais altas, com exclusão até mesmo, num futuro não muito distante, de fatias importantes da classe média. A incorporação a esse setor de camadas sociais ascendentes, incentivada pelo governo federal, está se revelando, portanto, inviável.

Os últimos governos – por ironia, justamente os que mais se proclamam defensores das camadas de baixa renda – tomaram na área de saúde decisões desastradas e irresponsáveis. Apostaram demagogicamente na expansão dos planos de saúde – sem base em estudos sérios que mostrariam facilmente seus limites, como se está comprovando agora – e deixaram de investir no Sistema Único de Saúde (SUS), que atende três quartos da população, em especial os mais pobres.

Dois exemplos bastam para provar isso. O primeiro é a falta de atualização da tabela de procedimentos do SUS, que cobre apenas 60% dos seus custos. Como os hospitais filantrópicos conveniados, especialmente as Santas Casas, não tinham condições de cobrir indefinidamente os 40% restantes, acabaram se endividando e entrando numa crise que só se agrava. O socorro prestado pelo governo de tempo em tempo não passa de um remendo. E, como essas instituições respondem por cerca de 45% dos atendimento do SUS, é fácil de constatar a extrema e perigosa fragilidade do sistema de saúde pública.

O segundo é a eliminação de mais de 14 mil leitos de internação nos hospitais da rede pública, em apenas quatro anos, de julho de 2010 a julho de 2014, como constatou estudo feito pelo Conselho Federal de Medicina (CFM), com base em dados do Ministério da Saúde.

O investimento na rede pública de saúde, como mostra o exemplo dos países da Europa ocidental, no qual se inspiraram os legisladores para criar o SUS, é a saída óbvia para oferecer atendimento médico e hospitalar digno à população. Urge retomar esse caminho para recuperar o tempo perdido.

 

Fonte: O Estado de S. Paulo – Opinião