SBCCV e SBC/SBHCI assinam resolução para requisitos necessários ao TAVI

Com anuência da Associação Médica Brasileira e da Sociedade Brasileira de Cardiologia, as Sociedades de Cirurgia Cardiovascular (SBCCV) e de Hemodinâmica e Cardiologia Intervencionista (SBHCI) assinaram resolução (01/2017), dispondo sobre recomendações e requisitos necessários para treinamento na técnica de implante por cateter de biopróteses valvar aórtica (TAVI), além de estabelecer critérios para qualificação e certificação profissional do especialista habilitado nesse procedimento.

Dentre os pontos da resolução, destaca-se que “TAVI, para tratamento de estenose aórtica, deve ser indicado e conduzido por equipe médica multidisciplinar, composta por cardiologistas, especialistas em imagem cardiovascular e cirurgiões cardiovasculares”.

Além disso, com finalidade de implementar programa de treinamento e certificação, também previsto na resolução, “a SBCCV e SBHCI reconhecerão, em comum acordo, centros de treinamento em TAVI, que devem ser divulgados, obrigatoriamente, em área pública dos portais da SBCCV e SBHCI na internet”. Essa certificação, obrigatoriamente, deverá ter chancela de ambas sociedades.

“Há um núcleo específico de cirurgiões, embora minoritário, que já realiza procedimento de TAVI por via transfemoral. A ideia da resolução foi justamente identificar esses profissionais habilitados e reconhecer sua expertise, ou seja, garantir segurança dos pacientes e harmonia dos especialistas que realizam o método, sem subordinação a questões corporativas ou mercadológicas”, explica Marcelo Queiroga, relator do tema que resultou na resolução.

NOVAS FORMAS DE REMUNERAÇÃO PARA A CATEGORIA MÉDICA É TEMA DE SIMPÓSIO EM MAIO

No dia 31 de maio, a Associação Médica Brasileira (AMB) em parceria com o Conselho Federal de Medicina (CFM) e a Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS) realizará o Simpósio “Novas Formas de Remuneração – Causas e Consequências: Uma Avaliação Crítica”, no Hotel Meliá Paulista, em São Paulo.

As inscrições para o evento são gratuitas e limitadas.(https://amb.org.br/simposio/)

O dia será pautado por cinco palestras seguidas de debates. Ao término do dia Considerações finais com a plateia.

Os palestrantes serão:

  • Dra. Ana Elisa Siqueira (Grupo Santa Celina).
  • Dr. Francisco Lima (Unimed);
  • Dr. Jorge Carlos Machado Curi (CFM);
  • Dr. Márcio Vinicius Balzan (FGV);
  • Dra. Martha R. Oliveira (Diretora da ANS);

 

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Download da Programação

Aniversário de 80 anos da ACM

ACM completa 80 anos e sua presença é muito importante para esta comemoração.

Data: 28/04/2017
Horário: 21h
Local: Centro de Eventos ACM

Show com a banda Faraway

Cardápio by Chef Leno Dürrewald

Entrada
Batatinhas recheadas com Bacalhau;
Tortinha de Alho Poró com Roquefort;
Escondidinho de Frescal da Serra Catarinense;
Ostra Baby Gratinada.

1ª Suíte:
Buquê de Folhas Nobres com Lascas de Parmesão e Aceto de Framboesa.

2ª Suíte:
Torre de Linguado recheado com Ragú de Alho Poró e Camarão ao Cetim de Champagne, acompanha Fios de legumes aromatizados em finas ervas.

3ª Suíte:
Escalope de Filé Mignon ao Molho de Poivre Vert , acompanhado de Risoto de Alho Poró e Limão Siciliano.

Sobremesa:
Doces.

Cafeteria Styllu´s
Café Expresso Italiano;
Variedade de Petit Fours.

Convites à venda: Sócios ACM = R$ 150,00 | Não sócios = R$ 180,00

Mais informações: fone (48)3231-0300 / e-mail acm@acm.org.br

Veja também aqui.

HIPERTENSÃO MAL CONTROLADA É RESPONSÁVEL POR METADE DAS MORTES POR DOENÇAS CARDIOVASCULARES

Sociedade Brasileira de Cardiologia participará de campanha mundial de conscientização. No Brasil, o controle da hipertensão varia de 10,1% a 35,5%, segundo Diretriz da SBC.

No Dia Nacional de Prevenção e Controle da Hipertensão Arterial, 26 de abril, a Sociedade Brasileira de Cardiologia – SBC – lança uma campanha, associada à Internacional Society Hipertension – ISH. A ação pretende medir a pressão arterial em mais de 100 países, incluindo o Brasil, em 100 centros de cada país com a aferição de pelo menos 100 pessoas em cada um, totalizando 25 milhões em todo o mundo. O objetivo é chamar a atenção para a doença que é responsável direta ou indiretamente por 50% das mortes cardiovasculares no país.
“A hipertensão é uma doença silenciosa com tratamento conhecido, mas que os brasileiros ainda negligenciam por não aderirem ao tratamento quando é diagnosticada, ou por sequer saberem que têm pressão alta”, conta o presidente da SBC, Marcus Bolívar Malachias. A 7ª Diretriz Brasileira de Hipertensão Arterial da SBC, recentemente publicada, analisou 14 estudos publicados nas regiões Sudeste, Sul e Centro Oeste e constatou que o controle da hipertensão no Brasil é muito baixo, variando de 10,1% a 35,5%.
A Hipertensão atinge 32,5% (36 milhões) dos adultos e as suas complicações (cardíacas, renais e cerebrais) têm impacto elevado na perda da produtividade do trabalho e da renda familiar, estimada em R$ 13,7 bilhões entre 2006 e 2015. “A adesão ao tratamento é essencial para impactarmos nos índices e reduzirmos as mortes por doença cardiovascular”, lembra o presidente do Departamento de Hipertensão da SBC, Eduardo Barbosa.

MMM.17

A campanha mundial MMM.17 – Mês (Maio) Mundial da Medição da pressão arterial – foi deflagrada para detectar um maior número de hipertensos e ainda alertar a população para a necessidade de aferição. “Os adultos devem medir a pressão com regularidade”, ressalta o diretor de Promoção da Saúde Cardiovascular da SBC, Weimar Sebba Barroso.
Durante toda a campanha, no mês de maio, a SBC reforçará a mensagem “Eu sou 12 por 8” para que a população conheça os níveis ideias de pressão arterial. O site www.eusou12por8.com.br traz explicações básicas sobre a doença: o que é, quais as causas, os níveis ideais, prevenção e tratamento. Além de 25 perguntas e respostas para as principais dúvidas.
“A conscientização sobre a Hipertensão tem que ser cada vez maior, principalmente por conta do aumento da expectativa de vida”, diz o presidente do Departamento de Hipertensão da SBC, Eduardo Barbosa. A 7ª Diretriz mostrou uma associação direta e linear entre envelhecimento e prevalência da Hipertensão. Na última década, o número de idosos aumentou de 6,7% para 10,8% e uma análise de uma série de estudos com 13.978 idosos revelou que 68% deles tinham pressão alta. “Sem tratamento, essas pessoas podem ter um infarto, um derrame ou complicações renais, às vezes, irreversíveis”, completa Eduardo Barbosa.

Infecções de repetição podem acender o sinal de alerta para as IDPs

 

Cerca de 70% a 90% dos pacientes ainda não estão diagnosticados

Entre os dias 22 e 29 de abril acontece a Semana Mundial de Imunodeficiências Primárias (IDPs), que traz como tema este ano “Testar, Diagnosticar e Tratar”. Várias entidades pelo mundo estarão reunidas nesta semana de conscientização, sendo no Brasil a Associação Brasileira de Alergia e Imunologia (ASBAI) e o Grupo Brasileiro de Imunodeficiências (BRAGID) assim como associação de pacientes. Diversos serviços de saúde que prestam atendimento às IDPs farão trabalhos com a população para alertar sobre estas doenças.

As IDPs ocorrem em pessoas nascidas com o sistema imunológico deficiente em algum setor e manifesta-se por meio de infecções “comuns”, como otites, pneumonia, sinusites, entre outras. São mais de 300 doenças diferentes e, por isso, a prevalência varia muito. “As mais comuns são aquelas em que há defeitos na produção de anticorpos. Assim sendo, o fundamental para o tratamento destas doenças é garantir aos pacientes o acesso à reposição de imunoglobulina por via venosa ou subcutânea regularmente”, explica a especialista da ASBAI Dra. Ekaterini Goudouris.

Chegar à conclusão de que uma pessoa tem IDP não é tarefa simples. Atualmente, cerca 70% a 90% dos pacientes ainda não estão diagnosticados. Para auxiliar os médicos no diagnóstico, foram listados os 10 principais sinais para crianças e adultos que podem caracterizar uma pessoa com imunodeficiência primária. São eles:

Os 10 Sinais de Alerta para Imunodeficiências Primárias em Adultos

• Duas ou mais novas otites por ano
• Duas ou mais novas sinusites no período de um ano, na ausência de alergia
• Uma pneumonia por ano
• Diarreia crônica com perda de peso
• Infecções virais de repetição (resfriados, herpes, verrugas)
• Uso de antibiótico intravenoso de repetição para tratar infecção
• Abcessos profundos de repetição na pele ou órgãos internos
• Monilíase persistente ou infecção fungica na pele ou qualquer lugar
• Infecção por micobactéria da tuberculose ou atípica
• História familiar positiva de imunodeficiência
Os 10 Sinais de Alerta para Imunodeficiências Primárias em Crianças

• Duas ou mais pneumonias no ano
• Quatro ou mais otites no último ano
• Estomatites de repetição ou monilíase por mais de dois meses
• Abcessos de repetição ou ectima
• Um episódio de infecção sistêmica grave (meningite, osteoartrite, septicemia)
• Infecções intestinais de repetição/diarreia crônica
• Asma grave, doença do colágeno ou doença autoimune
• Efeito adverso ao BCG e/ou infecção por micobactéria
• Fenótipo clínico sugestivo de síndrome associada à imunodeficiência
• História familiar positiva de imunodeficiência

“Suspeita-se do diagnóstico das IDPs sempre que há processos infecciosos graves ou difíceis de tratar e/ou muito frequentes e/ou por agentes infecciosos não comuns. Febre, sinais de inflamação sem infecções ou doenças autoimunes em crianças pequenas também são sinais de alerta”, explica a Dra. Beatriz Tavares Costa Carvalho, especialista do Departamento Científico de Imunodeficiências da ASBAI e membro do Jeffrey Modell, instituição que apoia eventos sobre IDPs em todo o mundo.

Entre os desafios de se chegar ao diagnóstico de imunodeficiência primária está o desconhecimento da própria classe médica sobre estas doenças. Além disso, a dificuldade do acesso a determinados exames que confirmam a doença e o ingresso no tratamento.

Mais informações sobre a Semana Mundial de Imunodeficiências Primárias podem ser obtidas no site http://www.worldpiweek.org/resources/campaign-materials
Sobre a ASBAI
A Associação Brasileira de Alergia e Imunologia existe desde 1946. É uma associação sem finalidade lucrativa, de caráter científico, cujo objetivo é promover o estudo, a discussão e a divulgação de questões relacionadas à Alergologia e à Imunologia Clínica, além da concessão de Título de Especialista em Alergia Clínica e Imunologia a seus sócios, de acordo com convênio celebrado com a Associação Médica Brasileira. Atualmente, a ASBAI tem representações regionais em 21 estados brasileiros.
Sobre o BRAGID
O Grupo Brasileiro de Imunodeficiências foi criado para oferecer aos médicos acesso a informações sobre as Imunodeficiências Primárias, procurando promover educação continuada sobre seu diagnóstico e tratamento, desenvolver uma rede nacional de diagnóstico laboratorial e estabelecer uma rede de cooperação entre os centros de referência nacionais e da América Latina.

Serviço
Twitter: @asbai_alergia
Facebook: Asbai Alergia
www.asbai.org.br

710 VAGAS NO MAIS MÉDICOS PARA BRASILEIROS: É POUCO!

Médicos brasileiros querem participar do programa e Associação Médica Brasileira dá apoio jurídico aos interessados que não foram aceitos.

Precisou que o governo cubano se recusasse a enviar 710 médicos para o Brasil (600 novos e 110 como reposição) para mais vagas serem dirigidas a brasileiros. Mas esta quantidade de vagas ainda é insuficiente, perto da quantidade de médicos brasileiros interessados, pois só no último edital se inscreveram 10.557 médicos brasileiros.

O interesse de médicos brasileiros em entrar para o programa Mais Médicos sempre foi grande, antes das inscrições de janeiro. Em outros editais a quantidade de médicos inscritos foi superior ao último. Grande quantidade de profissionais procurou a Associação Médica Brasileira (AMB),  por se sentirem preteridos ou cerceados nos seus direitos, beneficiando médicos de outros países. Assim, no início de abril, a AMB disponibilizou suporte jurídico para estes profissionais. “Os associados da AMB que se sentirem prejudicados ao tentar entrar no Mais Médicos ou aqueles que, já dentro do programa, tiverem qualquer tipo de dificuldade contarão com apoio do departamento jurídico da AMB”, explica Florentino Cardoso, presidente da entidade. Médicos interessados precisam pagar custas processuais, pois honorários advocatícios serão cobertos pela AMB.

A AMB se posicionou contrária ao programa no início pela forma atabalhoada como foi lançado, com viés político-eleitoreiro, sem que outras condições estruturais fossem olhadas para dar atendimento de qualidade à população. Mesmo assim muitos brasileiros tentaram se inscrever no programa, e tiveram dificuldades com o sistema, rejeitando suas inscrições ou não concluindo. Quando foram identificadas prefeituras que substituíram médicos brasileiros por médicos cubanos, para trocar a fonte de recursos de pagamento da esfera municipal para a federal, em função da situação orçamentária destas prefeituras. Ficou claro que não era programa para comunidades onde havia necessidade de médicos, mas sim para angariar simpatia das prefeituras e enviar recursos à Cuba, já que os médicos cubanos ficam com parte do recurso, sendo o restante encaminhada à OPAS e Cuba.

Mais fortemente a AMB se posicionou contrária à vinda de qualquer médico estrangeiro sem que tivesse revalidação do diploma no Brasil, permitido pelo Mais Médicos. Revalidar o diploma é obrigatório em qualquer país sério do mundo. Médicos brasileiros ou estrangeiros residentes no Brasil, que obtiveram diploma de graduação em instituições estrangeiras reconhecidas no país de origem, devem realizar o Exame Nacional de Revalidação de Diplomas Médicos (Revalida), com objetivo de avaliar conhecimentos, habilidades e atitudes dos médicos formados no exterior e verificar se as competências são equivalentes às exigências brasileiras.

Segundo a imprensa, questionado se o convênio com Cuba está sob risco, o ministro disse não acreditar na possibilidade de rompimento definitivo do acordo com o país, mesmo com o incômodo do governo cubano em sentenças judiciais determinando a permanência de cubanos no Brasil e pagamento diretamente aos cubanos. Para esclarecer estes pontos o Ministério da Saúde divulgou que se dispôs à ir a Cuba.

Desde o início a AMB atuou para tirar Cuba da zona de conforto. Posicionamo-nos contra o programa, acolhemos e demos refúgios a médicos cubanos que quisessem ficar no Brasil ou ir para outro país; denunciamos baixos salários recebidos pelos cubanos para que recursos fossem enviados a Cuba e ameaças de Cuba para que os profissionais retornassem suas famílias para sua pátria, separando pais e filhos. Mais recentemente propiciamos apoio jurídico a médicos brasileiros que queiram entrar no programa. O que agora se concretizou, com Cuba não querendo mais enviar seus profissionais ao Brasil.

Não somos contrários que profissionais formados no exterior se estabeleçam aqui e trabalhem, desde que realizem o Revalida. Lutamos para que médicos brasileiros tenham garantido seu direito prioritário para preenchimento das vagas no programa Mais Médicos.

Posição da Associação Médica Brasileira sobre importação da asparaginase

 

A asparaginase é uma das drogas utilizadas para tratamento da LLA (leucemia linfóide aguda). No Brasil, desde a década de 70, usamos a produzida nos Estados Unidos e Alemanha, que cumpria todo “rito” da pesquisa clínica séria, comprovando eficácia e segurança no uso. Assim ajudou a curar muitas pessoas, especialmente crianças. Temos no Brasil centros especializados no tratamento dessas crianças com resultados cada vez melhores. Médicos e outros profissionais de saúde empenhados em fazer sempre mais e melhor.

Os países sérios cumprem a legislação vigente (ou mudam-na se acham obsoleta), respeitando instituições, e notadamente “não negociando” eficácia e segurança. Saúde é nosso bem maior. Recentemente o governo federal, através do Ministério da Saúde, autorizou importar o medicamento asparaginase, oriundo de empresa do exterior, devido desabastecimento no Brasil. Por que o Ministério da Saúde permitiu chegar nessa situação? Não há planejamento? Quais alternativas (todas) possíveis no mercado mundial que mantenham resultados, atrelados à eficácia e segurança?

A asparaginase agora importada tem testes adequados comprovando eficácia e segurança? Onde, quando, em que número de pacientes? Lembremos do necessário rigor na pesquisa clínica para testar uma única droga, quando são usadas várias ao longo do demorado tempo de tratamento em pacientes com LLA. Estudo realizado pelo St. Jude Cancer Research Hospital (2012), de Memphis, TN, USA – grande e importante centro de pesquisa em LLA na infância, mostra risco seis vezes maior de recidivas no sistema nervoso central em pacientes que evoluem com níveis de asparaginase abaixo do recomendado. Reportagem investigativa de programa televisivo mostrou que o laboratório fabricante do medicamento é representado por empresa uruguaia e que sua representante no Brasil está em pequeno escritório de contabilidade no interior do estado de São Paulo.

Não podemos e nem devemos, mesmo no caos instalado no Brasil, pensar na possibilidade de causar dano aos nossos queridos pacientes, em especial crianças, utilizando droga sem comprovada eficácia e segurança, sob pretexto de “economia”. A primeira chance de tratamento sempre é a melhor oportunidade para cura. Não seria mais prudente importar menor quantidade, caso seja a única solução nesse momento emergencial, enquanto todas etapas da pesquisa clínica sejam cumpridas? Somos favoráveis à compra de medicamentos menos onerosos, desde que comprovada eficácia, igual ou maior que outros, e segurança. Existindo desfechos desfavoráveis pelo uso dessa droga ora importada, quem responsabilizaremos? O dano pode ser irreparável.

Urge que nosso Ministério da Saúde ouça também a comunidade científica séria e comprometida existente no Brasil, antes de tomar determinadas atitudes. Criticamos o processo da compra pela dúvida reinante, mesmo após reuniões no Ministério da Saúde com sociedades médicas e farmacêuticas que conhecem essa importante área do conhecimento. Pairam muitos questionamentos. O material sobre a droga, apresentado pela empresa, é ruim. O trajeto inicial desse processo pode e deve ser corrigido, além de sempre trazer ensinamentos ao staff do governo federal, relembrando-lhes que a classe médica brasileira, representada pelas suas legítimas instituições estará sempre disponível para ajudar, desde que haja seriedade, transparência, ética e respeito ao mérito.

Saúde é nosso bem maior e nossa população merece respeito!

Florentino Cardoso
Presidente da Associação Médica Brasileira

AMB SUSPENDE EXAME DE SUFICIÊNCIA PARA OBTENÇÃO DO TÍTULO DE ESPECIALISTA EM NUTROLOGIA 2017

A Associação Médica Brasileira (AMB) decidiu pela imediata suspensão do exame de suficiência para obtenção do Título de Especialista em Nutrologia 2017, considerando que a AMB identificou inscrições de candidatos à prova que não atendem ao item 2.2.4 do edital enviado pela ABRAN: cumprimento obrigatório de carga horária mínima de 2.880 horas de treinamento.
Desta forma a AMB está garantindo a lisura e cumprimento inequívoco dos diplomas legais em respeito ao determinado pela Comissão Mista de Especialidade.

ABN marca presença nos 200 anos da Doença de Parkinson

Palestras, debates e ações educativas em todo país fazem parte da campanha de conscientização sobre a doença

Em 1817, o médico inglês James Parkinson publicou um artigo no qual definia uma nova doença, que veio a levar o seu próprio nome. Com a proximidade de 11 de abril, Dia Mundial de Combate à Doença de Parkinson, a Academia Brasileira de Neurologia (ABN) lança a Campanha Nacional da Doença de Parkinson – 200 Anos de História e Conhecimento, com o objetivo de avaliar os avanços científicos nesses dois séculos de busca para melhorar a situação dos parkinsonianos.

Além de várias ações em diversas partes do País, a campanha contou com uma coletiva de imprensa on-line com o Dr. João Carlos Papaterra Limongi, doutor em Ciências pela Faculdade de Medicina da USP, médico neurologista do Grupo de Distúrbios do Movimento do Hospital das Clínicas da FMUSP e membro titular da ABN. Na ocasião, ele vai apresentar um panorama das pesquisas sobre a Doença de Parkinson e o que vem sendo feito em termos de diagnóstico e tratamento.

Palestras, panfletagem e debates com pacientes, entre outras ações educativas, também serão realizadas em capitais e cidades do interior de estados como São Paulo, Rio de Janeiro, Minas Gerais, Paraná, Amazonas, Pará, Rio Grande do Sul, Pernambuco, Espírito Santo, Mato Grosso e Santa Catarina até 30 de abril como parte da Campanha Nacional da Doença de Parkinson – 200 Anos de História e Conhecimento.

Falta de medicamentos e dificuldade de acesso: problemas do SUS

Dados da Organização Mundial de Saúde (OMS) atestam que cerca de 1% da população mundial acima de 65 anos é portador da Doença de Parkinson. A prevalência estimada é de 100 a 200 casos por 200 mil habitantes. No Brasil, são poucas estatísticas, mas estima-se que 200 mil pessoas sofram da doença.

Novas drogas estão em estudo, algumas já no mercado, como a rasagilina, um inibidor da monoamina oxidase que potencializa a levodopa e pode interferir na evolução da doença. Existem outras não-dopaminérgicas que visam melhorar os sintomas sem os movimentos involuntários anormais, como a istradefilina.

“Outra abordagem é a terapia genética, uma vez que se sabe da existência de genes que influenciam a doença. Neste sentido, há tentativas de modificação genética visando mudar ou alterar os mecanismos celulares envolvidos na degeneração celular, em fase experimental e ainda sem aplicabilidade clínica. Existem, ainda, estudos com células-tronco em andamento, mas não se conhece exatamente como elas poderiam refazer certas conexões neurais”, comenta Limongi.

Para o especialista, é importante salientar neste contexto que o paciente com Doença de Parkinson não precisa somente do neurologista, mas de um acompanhamento multiprofissional. Fisioterapia por conta das alterações posturais e da marcha, além das contraturas das alterações musculares; alterações da voz altamente prevalentes requer tratamento fonoterápico; além de acompanhamentos nutricional e psicológico – a depressão é um dos sintomas, então é importante estar atento aos aspectos neuropsiquiátricos da doença.

De acordo com o dr. Henrique Ballalai Ferraz, membro titular da ABN e professor de neurologia da UNIFESP, há alguns medicamentos importantes que ainda não estão disponíveis no SUS. As demais medicações conseguem tratar a maioria dos pacientes, no entanto, alguns portadores da doença se beneficiariam se houvesse amplo acesso a essas drogas. “Ainda há uma lentidão para aprovar estes medicamentos mais novos”, diz.

Outra deficiência é o acesso ao tratamento cirúrgico com estimulação cerebral profunda. A saúde pública disponibiliza em poucos serviços e é insuficiente para atender as demandas.

Estudos

O que as pesquisas mostram, em primeiro lugar, é que a atividade física regular tem papel fundamental com a melhora na evolução da doença, e esse é um conhecimento relativamente novo. Combinada à fisioterapia, fonoterapia e reabilitação, é altamente benéfica. Nos últimos anos, surgiram novos medicamentos que melhoraram muito a capacidade de controlar os sintomas, com maior tolerância e doses mais baixas, em uma combinação adequada.

Outras pesquisas procuram um tratamento curativo, que impeça a progressão dos sintomas e restaure as perdas decorrentes do processo degenerativo. “Não foram aplicados à prática clínica, mas esperamos que, em um espaço curto, ainda indeterminado, venham novos procedimentos e medicamentos para melhorar a qualidade de vida. Os pacientes precisam ter essa certeza de que a ciência não parou. Apesar de não ter descoberto a cura, a pesquisa é incessante, cada vez mais avançada, até se tornar disponível”, argumenta Limongi.

História

Na década de 1960, começou a se entender os mecanismos bioquímicos envolvidos, como a deficiência do neurotransmissor dopamina. Hoje, é consenso que o parkinsoniano não consegue produzir a substância.

O primeiro tratamento realmente eficaz, considerado o maior avanço, foi a reposição com levodopa, um precursor bem absorvido pelo organismo e que atravessa a barreira hemato-encefálica (do sangue para o cérebro), onde é transformada em dopamina. Isso revolucionou completamente o tratamento no início da década de 1970, período em que os medicamentos eram bem rudimentares – basicamente os anticolinérgicos, de efeito muito discreto e excessivos efeitos colaterais -, reduzindo significativamente sua eficácia.

O tratamento farmacológico passou por um processo de refinamento, desde métodos de melhor administração, com drogas mais eficazes, até medicamentos que potencializam a levodopa, como inibidores enzimáticos que permitem uma ação mais duradoura nos receptores dopaminérgicos do cérebro. Outras drogas de ação semelhante, chamadas agonistas dopaminérgicos, indicadas para infecções, como, por exemplo, a rotigotina, até métodos mais sofisticados de administração, como a intraregional, usados em escala ainda muito reduzida devido ao alto custo, também estão em estudo.

Além dos sintomas clássicos de Parkinson, passou a se observar que, por exemplo, depois de 15 anos de doença, a maioria dos pacientes começa a apresentar problemas cognitivos. Outros, depois de 20 anos, apresentam algum grau de demência. Surge, então, um novo problema: como lidar com esses tipos de sintomas. “Temos o aparecimento das demências nas fases avançadas, de alterações de postura com muita frequência, entre outras complicações clínicas que não apareciam, o surgimento de movimentos involuntários anormais devido ao uso crônico da levodopa, que acabou gerando outro tipo de problema motor, as famosas discinesias induzidas pela levodopa, e a cada novo empecilho que surge, novas terapêuticas entram em cena para contorná-los”, enfatiza Limongi.

O tratamento cirúrgico, o famoso DBS, (do inglês deep brain stimulation), veio em socorro dos movimentos involuntários anormais, considerado atualmente o método mais eficaz para controlar esses sinais que a maioria dos pacientes desenvolve ao longo dos anos.

Panorama

A maior parte da monografia de James Parkinson ainda é considerada correta pela classe médica, em especial os quatro principais sintomas – doença motora caracterizada por tremores de repouso, rigidez muscular, dificuldade com movimentos e alterações posturais. Uma nova percepção ficou evidente nos últimos 20 anos e diz respeito à enorme quantidade de sintomas não-motores, por vezes predominante em determinadas fases do distúrbio.

“O comprometimento cognitivo que pode acarretar em demências, a disfunção do sistema nervoso autônomo, os transtornos de sono, a depressão e as alterações sensoriais (principalmente do olfato) ganharam um peso considerável, especialmente por sua interferência na qualidade de vida dos pacientes, o que não estava contemplado na descrição clínica original de James Parkinson”, explica Limongi.

Desde então, a Doença de Parkinson passou por diversas fases, com as alterações anatomopatológicas, depois os transtornos bioquímicos e finalmente a fase atual, em que já se avançou, e ainda há muito a avançar, acerca dos mecanismos celulares envolvidos na degeneração das células. “Ou seja, por que as células, em determinado momento, passam a degenerar, o que causam os sintomas da doença, e tentar, inclusive, interferir nesse processo, modificando sua evolução, o que ainda não foi alcançado”, evidencia o médico.

Rotina

O cuidado de quem convive com o parkinsoniano, tema da campanha do ano passado, continua de grande importância. Outro ponto de destaque é o estímulo a uma vida ativa, tanto profissional quanto social, essencial para manter o paciente o mais próximo possível do que era antes do diagnóstico.

“Fazer caminhadas, praticar atividades físicas regulares, conviver com amigos, sair de casa, mesmo com as dificuldades, e não se preocupar com as limitações, resulta em um tratamento medicamentoso mais bem sucedido, pois a preservação da saúde mental do paciente também é fundamental”, reforça Ballalai.

19ª CAMPANHA NACIONAL DA VOZ OCORRE EM 16 DE ABRIL NO PARQUE DO POVO, EM SÃO PAULO

A Campanha Nacional da Voz tem como objetivo primordial conscientizar a população sobre os cuidados necessários em relação ao sistema vocal, já que um problema de voz reflete muito mais que uma simples dificuldade na produção do som básico para a fala, podendo interferir na própria habilidade de se comunicar. Celebrado em 16 de abril, o evento será realizado no Parque do Povo, em São Paulo, das 9h às 17h, e conta com diversas atrações para despertar o interesse do público.

Neste ano, entre outras atividades, está confirmada a presença de artistas circenses, desafio de Beat Box, cabine de Karaokê e uma laringe gigante, que sempre chama muito a atenção de adultos e crianças. “Trata-se de uma superestrutura inflável em formato de boca imensa. Os visitantes, que podem entrar nela, conferirão os principais elementos da boca e da laringe, como dentes, língua, amígdalas, úvula e cordas vocais”, detalha o otorrinolaringologista Dr. Gustavo Korn, coordenador do evento.

O especialista detecta que, muitas vezes, as pessoas não levam a sério problemas apresentados na voz, que é a principal ferramenta de comunicação do ser humano. “Por meio de ações de orientação e conscientização, a campanha promove um processo de sensibilização permanente em relação aos cuidados com a voz. Ela tem papel fundamental na informação constante da sociedade sobre os cuidados necessários com o sistema vocal”, alerta o médico.

O evento é organizado, em parceria, pela Academia Brasileira de Laringologia e Voz (ABLV) e pela Associação Brasileira de Otorrinolaringologia e Cirurgia Cérvico-Facial (ABORL-CCF). “Realizada desde 2003, a campanha é a ação social de maior tradição da Otorrinolaringologia brasileira, promovendo projetos integrados em países como EUA, Espanha, Portugal, Bélgica, Suíça, Itália, Argentina, Chile, Venezuela e Panamá”, finaliza Dr. Gustavo Korn.

Serviço
O que: 19ª Campanha Nacional da Voz;
Data: 16 de abril de 2017;
Local: Parque do Povo;
Endereço: Avenida Henrique Chamma, 420 – Itaim, São Paulo;
Horário: das 9h às 17h.